<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138</id><updated>2012-01-31T15:52:18.998-08:00</updated><title type='text'>O CANHOTO</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>28</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-5585383875674399708</id><published>2012-01-23T20:43:00.000-08:00</published><updated>2012-01-23T20:48:45.568-08:00</updated><title type='text'>Por uma internet livre</title><content type='html'>Quem freqüenta as redes sociais e a grande rede como um todo, certamente é capaz de perceber que uma série de polêmicas e discussões recorrentemente viralizam e ocupam boa parte das timelines internet afora. Se, por um lado, várias bobagens são elevadas ao status de &lt;i&gt;trending topics&lt;/i&gt;, também ocorre, por vezes, que assuntos relevantes figurem entre os mais comentados do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o caso, na última semana, da mobilização digital generalizada que se contrapôs ao SOPA e ao PIPA (basta googlear para achar informação sobre esses troços). Particularmente, vi pessoas pertencentes às mais diversas orientações políticas se colocando contra esses projetos - o que provavelmente atesta o caráter absurdo dos mesmos. Com a pressão da opinião pública, os lobistas e representantes do &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt; foram obrigados a recuar (por enquanto, deve-se salientar) em alguma medida, muito embora o fechamento de alguns sites de compartilhamento de arquivos tenha acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que o mundo não é construído sobre consensos e unanimidades: apesar de eu ter a ligeira impressão de que o grosso dos que acessam as redes sociais são contra essas medidas, a verdade é que eu pude identificar algumas vozes dissonantes, tanto nas próprias redes quanto nos grandes veículos de comunicação. E, pelo que pude notar nessas dissonâncias pode-se dizer que a argumentação pró-SOPA consiste, em linhas bem gerais (e um tantinho preguiçosas), em um apelo ao direito inalienável à propriedade privada, salpicadas aqui e ali da suposição de que artistas e demais produtores de bens culturais ficariam à míngua se não fossem contemplados pela parte que lhes cabe dos direitos autorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, os defensores desse tipo de ponto de vista, se não são mal intencionados, são – para dizer o mínimo – um tanto quanto inocentes. Digo isso por dois motivos: 1) essas pessoas esquecem que não são os artistas e demais pessoas que vivem da produção de bens culturais que exercem a verdadeira pressão sobre o campo político em favor do &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt;, mas sim uma indústria dotada de um imenso poder de &lt;i&gt;lobby&lt;/i&gt; e que, historicamente, utilizou-se de todos os meios que lhe eram disponíveis para aumentar seus lucros e enganar seus funcionários; 2) elas também são incapazes de perceber – ou fingem que não percebem – que tais projetos têm um pano de fundo alarmante, o qual geraria um contexto de vigilância, mediação e controle daquilo que é compartilhado na internet. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dessas, há também outra incongruência interessante. Acho extremamente curioso que a maioria das pessoas que defendem esse tipo de controle (a meu ver abusivo) da internet seja contra, por exemplo, qualquer tipo de controle da especulação financeira. Ao que parece, o mercado é livre só pra quem quer inventar novas formas de ganhar dinheiro às custas do sofrimento alheio e da espoliação - como ocorre na conjuntura da atual crise do capitalismo; mas na hora em que uma boa parte das “massas” se utiliza dos meios disponíveis para ter acesso gratuito à informação – confrontando, assim, os interesses de grupos de pressão poderosos e riquíssimos -, são (em geral) os próprios comensais do livre mercado que se voltam contra um movimento totalmente espontâneo e, ao que tudo indica, inescapável. Costumo dizer, me apropriando um pouco da linguagem neoliberal: as iniciativas recentes que visam cercear o compartilhamento de informações via internet nada mais são do que um esforço empreendido pelos empresários do &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt; com o objetivo de adaptar o mercado aos seus próprios interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vamos, portanto, cair no erro de um discurso moralistinha ou legalistinha que tende a não sustentar a si mesmo, e vamos argumentar logicamente: se, por um lado, os artistas perdem algo com o fim de &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt;, eu sustento que essa perda não se compara com os possíveis ganhos que a classe artística pode obter a partir do uso da internet, que seriam os seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*A internet quebra, até certo ponto, o monopólio que as industrias fonográfica, cinematográfica, etc., possuíam na definição dos bens culturais que merecem ou não ser divulgados. Isso quer dizer que, no contexto da internet livre, artistas talentosos sem contratos com gravadoras têm maiores chances de aparecer. Além disso, a liberdade na internet impediria, por exemplo, um grave problema que se dá no cinema: há filmes que, por terem pouca repercussão, não são distribuídos e, portanto, são esquecidos e vão parar no limbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*O segundo argumento diz respeito às infinitas possibilidades que a existência da internet abre. Ela dá margem para que artistas autônomos – e também para as indústrias fonográfica, cinematográfica, etc. – descubram novas formas de ganhar dinheiro, dentro de um campo ainda relativamente inexplorado. Ao invés de lutar contra a inelutável internet, talvez o melhor fosse aliar-se a ela, já que suas possibilidades estão muito longe de se esgotar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Em terceiro lugar, o argumento que mais me atrai: eu sinceramente não entendo como um mundo em que as pessoas podem, potencialmente, ter acesso ilimitado a bens culturais pode ser pior do que um mundo em que elas não têm.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-5585383875674399708?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/5585383875674399708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=5585383875674399708' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/5585383875674399708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/5585383875674399708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2012/01/quem-frequenta-as-redes-sociais-e.html' title='Por uma internet livre'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-4745471945693402488</id><published>2011-11-29T13:16:00.000-08:00</published><updated>2011-11-29T18:32:55.784-08:00</updated><title type='text'>Sobre Belo Monte</title><content type='html'>&lt;b&gt;Ou: qual é o Brasil que queremos?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos meses, vêm se intensificando os debates que cercam um dos mais polêmicos projetos de engenharia da história do Brasil, a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Com o avanço da discussão, vão se sofisticando os argumentos tanto dos que defendem o projeto quanto dos que o atacam, e mais pessoas vão se engajando no embate. Eu venho acompanhando a questão há algum tempo, e comecei a perceber sua importância, principalmente, quando passei a apreciar as posições do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro (um dos principais nomes da militância anti-Belo Monte, um dos mais importantes antropólogos do mundo) sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por questões “ideológicas” (que Althusser me desculpe por utilizar o termo tão levianamente), eu tendo a ser contrário a qualquer empreendimento que venha a alterar radicalmente a vida de um conjunto de pessoas sem que tal empreendimento esteja ligado a uma melhoria real, direta e substancial dessas vidas. Além do mais, não costumo me deixar comover pelo fetichismo frio dos números: pouco me importa se 10 famílias serão deslocadas para a construção de uma via ou se milhares serão desalojadas para que uma determinada cidade faça papel de civilizada diante do resto do mundo. Na minha opinião, o que importa no fim das contas é que o projeto traga benefícios reais para todas as partes envolvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar desse meu pendor, resolvi acompanhar a argumentação daqueles que se colocam a favor da construção de Belo Monte. Evidentemente, encontrei um ou outro mau-caráter que diminuiu aqui e ali o número de pessoas afetadas pelo projeto, e um ou outro malandro que escondeu esse ou aquele efeito perverso da obra. Isso, porém, não me surpreende; afinal, em qualquer embate ligado a uma questão tão importante e estratégica haverá, em ambos os lados, grupos (que podem ser maiores ou menores) de pessoas dispostas a trocar os dados reais por aqueles que mais lhes convêm. Deixando de lado esse tipo de discurso, guardei para mim apenas as perspectivas que me pareceram legítimas, sinceras e objetivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continuei sendo contra Belo Monte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos defensores e detratores da construção da usina apresentam números, dados sobre impactos ambientais e, principalmente, questões relativas à eficiência do empreendimento na produção de energia elétrica. Nesse último ponto, aliás, tive a leiga impressão de que o lado dos defensores tem argumentado um pouco melhor do que o lado dos detratores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, esse tipo de argumentação ligado a termos como “eficiência”, “número de pessoas afetadas reduzido”, “danos ambientais menores do que outros tipos de produção de energia” não me convence nem um pouco. Explico por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente do fato de a usina produzir essa ou aquela quantidade de energia por ano, independentemente de Belo Monte ser uma hidrelétrica e, portanto, menos impactante em termos ambientais do que uma usina que queima combustível para produzir energia, há uma lógica absolutamente perversa que subjaz sua realização. Essa lógica perversa diz respeito a um modo de encarar e de produzir o mundo, em que pessoas historicamente destituídas de qualquer possibilidade de acesso a serviços ou de vantagens mínimas são completamente ignoradas na hora de traçar um determinado projeto. No Brasil, os povos indígenas são os mais claros e extremos exemplos – mas de forma alguma os únicos - da reificação dessa lógica: constantemente são deles exigidas mudanças radicais em seus modos de vida (isso quando eles não são encarados como simples empecilhos e são cruelmente exterminados) para que a marcha austera e impiedosa do progresso se realize - organizada do alto da prancheta dos engenheiros, economistas e burocratas “racionais”, os quais dizem sempre que estão fazendo o que é mais necessário e adequado.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém talvez argumente que os benefícios de um empreendimento desse tamanho são mais relevantes do que seus impactos. Ao que eu pergunto: benefícios para quem? Será que, de fato, a vida da população como um todo será melhorada com a construção da usina? Ou será que uma imensa parte energia produzida por Belo Monte será, como uma imensa parte da energia produzida por tantas outras usinas pelo Brasil, utilizada nos altos fornos das multinacionais produtoras de alumínio (ou de qualquer outra coisa)? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso: por que grupos historicamente esquecidos pelo Estado têm de sofrer para que a sociedade urbana continue com seus padrões insanos de consumo de energia elétrica? Afinal, todo mundo acha que certos segmentos da sociedade – que são sempre os mesmos: índios, negros pobres, etc., etc., etc. - são obrigados a se sacrificarem em prol do bem estar da Nação – leia-se: em prol do bem-estar das classes médias e altas; entretanto, ninguém está disposto a fazer qualquer tipo de esforço para diminuir um pouco o seu próprio consumo de energia (a não ser, evidentemente, que o valor da conta de luz cresça demais), a trocar o sistema elétrico ineficiente da própria casa, a pressionar o governo para que ele subsidie a compra, por particulares, de painéis de energia solar. Do mesmo modo, o setor industrial privado, consumidor de imensa parcela da produção de eletricidade no Brasil, não está nem um pouco disposto a investir no desenvolvimento de novas tecnologias energéticas e muito menos a adotar ele mesmo técnicas de produção de energia menos impactantes sócio-ambientalmente: como esse tipo de investimento demanda aplicação do lucro das empresas – essa entidade sagrada que, em nome dos santos acionistas, não pode nunca, em hipótese alguma, diminuir -, a opção mais fácil é pressionar o Estado para que ele próprio invista em infra-estrutura. Afinal, como bem percebeu Poulantzas, é para isto (entre outras coisas) que o Estado serve: para fazer aquelas coisas que o capitalista não quer fazer, mas que ele precisa que alguém faça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após colocar minha opinião sobre a usina de Belo Monte, gostaria de discutir muito rapidamente algo um tanto mais “abstrato”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, junto com o crescimento da importância econômica e geopolítica do Brasil, veio um problema gigantesco: o problema de decidir os rumos de nosso crescimento, de nosso desenvolvimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos crescendo? Sem dúvida, e, diga-se de passagem, “como nunca antes na história desse país” - como diria o maior presidente que a história desse país já viu. E um sintoma disso é o fato de já termos problemas de país desenvolvido: atraímos um número cada vez maior de imigrantes ilegais, que são utilizados de maneira ilícita e desumana como mão-obra escrava ou semi-escrava (ou são tratados como lixo nas nossas cidades de fronteira); já temos ocupações militares fora de nossas fronteiras cuja legitimidade é questionada pelas populações por ela afetadas; e já exportamos o ônus que o suprimento de nossas necessidades acarreta. Observe os Estado Unidos e a única coisa que muda é a escala em que essas coisas acontecem por lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, como em outros momentos da vida humana, a questão não é unicamente de tamanho: devemos nos preocupar com a forma com que nos valemos de nosso tamanho e de nosso crescimento. É esta a escolha que se coloca: ou construiremos um país desigual que sacrifica, no altar dos deuses do capitalismo, a população menos favorecida; ou construiremos um Brasil que promove a prosperidade de todos, que investe em educação, saúde, saneamento, etc.. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja no alto Xingu, seja no Rio de Janeiro olímpico, é essa escolha que está em jogo em cada projeto, em cada orçamento, em cada decisão. E eu acredito que já tenha passado da hora de as discussões ligadas a tais decisões serem colocadas em termos mais humanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-4745471945693402488?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/4745471945693402488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=4745471945693402488' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/4745471945693402488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/4745471945693402488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2011/11/sobre-belo-monte.html' title='Sobre Belo Monte'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-6068892366224630834</id><published>2011-09-05T17:18:00.000-07:00</published><updated>2011-09-05T17:32:48.019-07:00</updated><title type='text'>Evangélicos e preconceitos</title><content type='html'>Hoje tratarei de um assunto que eu acho bastante polêmico. Esse meu achar, certamente, tem motivos subjetivos: pretendo falar de um preconceito para o qual eu próprio, por descuido ou por pura falta de tato mesmo, costumo escorregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirmemos logo de início o assunto do texto: tratarei aqui do preconceito de que, muitas vezes, são alvo as pessoas que fazem parte das chamadas religiões evangélicas – sobretudo as neopentecostais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de entrarmos na argumentação à qual pretendo conduzir, devo ser sincero para com meu leitor e explicar de onde digo o que digo: sou um ateu convicto, desde o momento em que comecei a refletir sobre mim mesmo e sobre o mundo que me cerca. Fui, porém, educado em meio a uma família mais ou menos católica – já que alguns elementos muito próximos são fervorosos praticantes dessa religião, enquanto outros tantos não dão muita bola pros assuntos de Deus. Além disso, diria que hoje sou uma pessoa avessa – tão avessa quanto me é possível ser - a qualquer doutrina dogmática e a qualquer tentativa de arrebanhamento do humano (li com muita atenção o Nietzsche, então não tinha como ser de outra forma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito esse não tão breve preâmbulo, começo a falar o que quero falar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana - mais precisamente hoje - tive acesso à seguinte informação: em termos religiosos, uns sessenta e tantos por cento da população brasileira se diz católica, uns vinte e tantos por cento se diz evangélica e os outros porcentos sobram para os ateus e praticantes de outras fés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, esses dados são crus pra cacete. Dizer apenas quem acredita em que – e de uma maneira tão genérica, que, por exemplo, não discrimina entre as inúmeras manifestações do protestantismo que têm lugar no Brasil – não dá, de forma alguma, uma visão clara das religiosidades praticadas em nosso país. Entretanto, mesmo tendo isso em vista, permiti a mim mesmo tirar algumas conclusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, gostaria de articular o percentual que (esdruxulamente, eu sei, mas to com preguiça de procurar os dados) apresentei com algumas, digamos, “tendências discursivas” que se colocam ao fazerem menção ao fenômeno neopentecostal. Por um lado, é notório o avanço do neopentecostalismo no Brasil. E, por outro lado, é igualmente evidente que a esmagadora maioria da população brasileira ainda é de fé católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entraremos, aqui, em questões teológicas, e nem tampouco faremos um esboço de sociologia da religião. O que eu quero chamar à atenção é um fato meio óbvio até: muito embora, como já disse, a maior parte da população ainda seja católica, quase todo o conservadorismo, ou se preferirem o “atraso” vem sendo, no discurso do senso comum, posto na conta dos evangélicos. Sendo assim, o próprio avanço do “fenômeno evangélico” é visto por muitos como um problema a ser combatido, como um monstro que vai crescendo e se estruturando para fundar um Brasil crente, obscurantista, conservador e ignorante – e que, no curto prazo, tende a entravar o desenvolvimento brasileiro por misturar política e religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de ponto de vista – o leitor deve concordar comigo – é comum. Piadas que atacam a “ignorância” dos evangélicos, que ridicularizam sua fé, que os tratam como títeres à mercê de vis manipuladores da fé alheia, são cada vez mais difundidas; por vezes, algumas pessoas identificam que a odienta Globo seria um mal menor, perto da Record do – também odiento – Bispo Macedo; e alguns intelectuais que se dizem não-conservadores também tendem a dizer que os evangélicos – e apenas eles – seriam responsáveis pelo entrave que se coloca diante da conquista de alguns direitos civis básicos (como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto e a legalização das drogas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, é certo que há algum grau de verdade nisso tudo. Basta assistir na televisão os programas de alguns – não todos, deve-se frisar - segmentos das religiões evangélicas brasileiras para notar que grande parte delas veicula um discurso verdadeiramente obscurantista, desrespeitoso para com os adeptos de outra fé e/ou modo de vida, e que confundem o lugar da pregação religiosa. Entretanto, simultaneamente, eu penso: ainda há um grande contingente da população que pertence ao catolicismo; e, sendo assim, se “ser evangélico” é a variável que explica o conservadorismo brasileiro, como se explica o fato de a maior parte da população ser católica estar articulado a uma nação, a meu ver, crescentemente conservadora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu modo ateu – e, portanto, nada imparcial - de entender as coisas, não há, em termos de tendência a “permitir” ou “aceitar” medidas mais “liberais”, muita diferença entre os evangélicos em geral e os católicos em geral – se fosse assim, não haveria tanta resistência por parte da sociedade em reconhecer alguns daqueles direitos civis básicos. Ao que parece, há na verdade um crescente e irrefletido preconceito (perdoem a tautologia) que se coloca entre as pessoas e uma leitura menos estigmatizante das religiões evangélicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, percebo que, principalmente no Rio de Janeiro (estado onde as neopentecostais avançam a passos larguíssimos), alguns setores conservadores de classe média e alta relacionam os evangélicos aos pobres – ou, dizendo de outro modo, a representação que tais segmentos de classe têm dos evangélicos afirma que esses últimos são recrutados entre a população mais pobre; o que os torna, portanto, alvos de todos os preconceitos que possuem em relação aos pobres em geral. E assim ficam as coisas: como se conservadorismo, mistura de religião e política, ignorância política, fossem coisas que não dizem respeito às camadas medias e altas de nossa sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha opinião, para resumir, é que um preconceito relativo a origem sócio-econômica vem sendo cada vez mais transfigurado em um preconceito dirigido aos praticantes de uma certa fé. Esse preconceito tem alguma sustentação na realidade? Talvez, não sei dizer ao certo. Mas o que quero dizer é o seguinte: tem muita gente por aí achando que o problema são os outros, e acaba esquecendo de olhar para seus próprios valores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-6068892366224630834?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/6068892366224630834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=6068892366224630834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/6068892366224630834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/6068892366224630834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2011/09/evangelicos-e-preconceitos.html' title='Evangélicos e preconceitos'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-7489311469718208894</id><published>2011-08-02T15:08:00.001-07:00</published><updated>2011-11-02T18:13:08.577-07:00</updated><title type='text'>Progresso e austeridade</title><content type='html'>Curioso é observar o quão próximas são às vezes idéias aparentemente contraditórias, como progresso e austeridade. Superficialmente, nada anuncia o parentesco de ambos os conceitos; entretanto, a verdade é que os dois representam – perdoem-me pelo lugar-comum - duas faces de uma mesma moeda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para desfazermos a ilusória diferença, devemos observar o contexto em que tais vocábulos são utilizados. Se progresso diz respeito, histórica e cotidianamente, a uma marcha à frente – sendo esse à frente, necessariamente, melhor do que aquilo que ficou para trás -, a outrora inocente austeridade tornou-se acompanhante recorrente da palavra "medida", formando assim a hoje mui pronunciada "medida de austeridade" - expressão que diz respeito a uma política econômica e social que (segundo dizem alguns) se faz necessária para que as nações mais fragilizadas pela atual crise do capitalismo não entrem em colapso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, o leitor deve estar a se perguntar: por que diabos progresso e austeridade seriam coisas semelhantes? Se o progresso – coisa boa, desejável – é a marcha à frente, a melhora, e as medidas de austeridade são as rígidas, sóbrias e racionais (porém necessárias) formas de combate à crise - coisa ruim, indesejável -, de que maneira tais coisas se aproximam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: é aqui que adentramos o ponto crucial da argumentação. Ao que me parece, há um princípio que atravessa tanto a exigência das medidas de austeridade quanto a marcha do progresso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para melhor explicar a idéia, analisemos as reais conseqüências do que é hoje entendido como progresso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, sempre houve – e ainda os há às pencas – aqueles que se denominam progressistas, e até governos, por aqui, se consideram e são alcunhados como tal. Mas, certamente, o progressismo brasileiro não é apenas um movimento de pessoas que andam para a frente – ou seja: não é definido pelo sentido abstrato, encontrado no dicionário, do termo progresso; ele é, antes de mais nada, um projeto político, social e econômico específico, e que tem e teve a intenção de fazer avançarem as forças produtivas, o consumo, a produção de bens de consumo industrializados, o aumento do PIB, etc.. Trocando em miúdos: o progresso, tal qual foi – e é – posto em prática em nosso país, é um progresso que se movimenta no terreno do modo de produção capitalista, desenvolvendo e aprofundando sua inserção por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inconveniente do progresso, conforme é possível compreender se observamos a história de nosso país, é que a marcha adiante nunca se depara com um espaço vazio e homogêneo. Seus passos, para se realizarem, precisam remover inúmeros obstáculos; e ele é, para não perdermos a chance de uma boa metáfora, como que um desbravador de matas virgens e fechadas, que vai removendo à base de facão aquilo que se põe como problema. E aí está a chave para chegarmos à conclusão que desejamos: no mais das vezes, esses obstáculos são pessoas de carne e osso, homens, mulheres e crianças que atravessam o caminho dos empreendimentos progressistas. E, quando isso acontece... bem, pior para quem se contrapõe a tais empreendimentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, apesar dos inúmeros conflitos gerados pela marcha do progresso, muitas são as vezes em que seus pequenos obstáculos não oferecem sequer a mais tímida resistência – e por que? Responderia eu que, entre (muitas) outras coisas, os obstáculos são seduzidos pelo progresso, convidados a dele participarem, sob a promessa de que, mais à frente, suas benesses poderão ser repartidas entre todos. Quem aí nunca ouviu a história do “primeiro, deve-se fazer o bolo crescer”...?   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente falou isso, e tem mais gente ainda esperando até hoje a tal repartição do bolo. E justamente porque sempre entra em jogo o fator da crise, ou, mais precisamente, o agravamento das múltiplas contradições ativadas durante o desenvolvimento capetalista. Tomemos como exemplo a atual conjuntura: foram, grosso modo, as próprias formas de ganhar dinheiro inventadas nas décadas anteriores à presente que geraram a crise monumental que hoje se observa. Ou estou enganado? (pergunta retórica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, volta à cena nossa amiga, a austeridade – ou melhor, a medida de austeridade, já que o próprio progresso é considerado austero por muitos. Mais uma vez, diante da crise, exige-se de muitos um novo sacrifício, o qual é necessário para evitar o iminente colapso cataclísmico do mundo tal e qual conhecemos. Como disse alguém inteligente, concentram-se os lucros e socializam-se os danos – e fica sem o pão quem deu farinha ao bolo, simples assim. O momento da partilha, mítico e ainda inédito até aqui, é novamente adiado pela recessão, e deverá esperar mais algum tempo – o tempo, evidentemente, de estabilização e retorno ao crescimento econômico, ao progresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso o leitor não tenha percebido, estão já abraçados, austeridade e progresso. Ambos se aproximam por exigirem, obrigarem, o sacrifício de muitos – os muitos que são removidos de seus lares para a realização de um evento esportivo, os muitos que são desalojados para a instalação de uma, digamos, usina hidrelétrica, os muitos que perdem o direito a um serviço público de saúde e educação minimamente qualificado, os muitos que se vêem desempregados e, constantemente, atirados à miséria. Ambos se aproximam por corresponderem ao atendimento às demandas de uma minoria que avança pisando em cabeças e resolve seus problemas com oferendas de vidas alheias. São, conforme eu já disse, duas faces da mesma moeda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;P.S.1:&lt;/b&gt; sim, eu sei que tem um ato falho no meu texto. Não se preocupem: foi proposital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;P.S.2:&lt;/b&gt; sim, eu tenho mania de corrigir meus textos depois de publicá-los.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-7489311469718208894?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/7489311469718208894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=7489311469718208894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/7489311469718208894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/7489311469718208894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2011/08/progresso-e-austeridade.html' title='Progresso e austeridade'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-1936125369614157627</id><published>2011-07-28T19:55:00.000-07:00</published><updated>2011-07-28T19:55:16.867-07:00</updated><title type='text'>A besta e sua caverna</title><content type='html'>Há uma lenda um pouco antiga que fala de uma besta em uma caverna. Dizem que a escuridão a engole hoje e a engolirá por toda a eternidade, e que há muito ela não é avistada por olhos mortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, parece difícil que tal relato seja verdadeiro. Segundo me parece, é muito mais provável que ninguém seja capaz de enxergar a besta não por sua distância de tudo, mas pelo fato de ela estar próxima demais e grande demais. Creio, aliás, que tudo quanto existe está nas dobras de seu corpo, sob suas unhas hediondas, entre seus dedos longos que alcançam tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, esteja essa besta isolada ou próxima, ela está. Descrevê-la é uma prática há muito esquecida, posto que ela não foi vista em alguns séculos; tudo o que se tem hoje sobre ela são murmúrios antigos, palavras ditas em voz baixa e reproduzidas num tom ainda mais baixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se que a criatura tem longos braços finos, com pouca carne e alguma pele – pele essa que pende, amolecida e morta, alguns centímetros por sob a estrutura óssea do braço. Acredita-se que em tempos mais antigos, em que nada nem ninguém havia ainda encontrado a caverna em que vive a besta, ela se alimentava de pequenos vermes, finos como lombrigas, que rastejavam ao seu redor. Tateando no escuro, devorava os minúsculos seres que muito mal a sustentavam; e, dos restos de sua mastigação, se alimentavam os vermes sobreviventes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua boca, larga e longa, cheia de dentes pontiagudos perfilados, lembra muito a boca de um crocodilo. Seu hálito nauseabundo anuncia que os dentes, apesar de eficientes, permitem que muito do que a besta consome permaneça por longos períodos de tempo acumulado nas pequenas frestas do interior da boca – o que talvez seja o pior destino possível a qualquer coisa que exista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único olho da besta, olho sem pálpebra, enxerga mal e não serve para muita coisa – apenas, talvez, para anunciar sua eterna vigília. O que lhe permite a sobrevivência é, de fato, sua excepcional capacidade de distinguir coisas com o tatear.  Suas mãos nervosas e eficientes, sempre ávidas por encontrarem qualquer coisa que possa ser digerida, destroem muito do que tocam, posto que avançam com força demasiada; entretanto, mesmo em meio aos escombros que produzem, são capazes de colher aquilo que lhes interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possui também um pescoço fino, o qual vive caído para a frente e só se levanta com muito esforço – certamente por efeito do peso da boca massiva da criatura e de sua formidável mandíbula. O corpo que sustenta essa monumental e bizarra cabeça, por sua vez, não é algo lá muito terrível de se olhar – lembra, aliás, muito do que são os homens que passam fome: consiste em um peito magro, ossudo, encarquilhado, sob o qual está uma barriga relativamente volumosa.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aparente míngua da besta, contudo, não condiz com a realidade. Apesar de, em tempos passados, a fome ter sido quase mortal para ela, fato é que hoje sua caverna se encontra em franco progresso. Desde que o primeiro ser vivo – além, é claro, dos vermes – foi por ela encontrado e deglutido, seu paladar se refinou e a variedade de sua alimentação aumentou. Muitas coisas vivas passaram a adentrar espontaneamente a caverna, de início por pura e simples inocência, e mais tarde sob a promessa de que a escuridão em que vive a besta era a mais gratificante das possibilidades. Assim sendo, foram deixados em paz os insossos e nojentos vermes; ficaram eles, portanto, livres do instinto predatório e da natureza insaciável da besta, passando a viver também de restos mais ricos e variados – de modo que se multiplicaram e engordaram tanto que cobriram o corpo da besta, a qual está sempre sentada com as pernas cruzadas, até a região de sua cintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discordo do mito, como já disse, porque penso que a besta não mais se alimenta daquilo que vem de fora da caverna. Passado tanto tempo, e considerando-se a voracidade que a criatura apresenta, não é possível, não é lógico, que coisas ainda existam fora de seu alcance. Daí minha conclusão: a meu ver, tudo o que era antes do pecado original – o da entrada na caverna – hoje existe aos restos, aos pedaços miúdos; está em vãos, em pequeníssimos fossos no próprio corpo da besta, entre seus dentes, em seus orifícios. Seu organismo, acostumado à breve riqueza, já reclama presas novas, apesar de se regozijar com os ainda abundantes restos não consumidos pelos vermes. Imagino que, dentro de pouco tempo, os próprios vermes voltarão a ser consumidos pela besta, voltarão a diminuir, emagrecer, a viver na miséria – até que, no mundo fora da caverna, surjam miraculosamente novas e inocentes criaturas que se disponham a adentrar a escuridão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-1936125369614157627?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/1936125369614157627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=1936125369614157627' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/1936125369614157627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/1936125369614157627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2011/07/besta-e-sua-caverna.html' title='A besta e sua caverna'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-6359634502344724509</id><published>2011-07-10T21:42:00.000-07:00</published><updated>2011-07-10T21:54:03.676-07:00</updated><title type='text'>Gênese</title><content type='html'>Foi justamente ali a primeira morada do homem. Ali: algo mais incerto do que o ato de apontar no horizonte algum lugar, uma floresta densa em que tudo era tudo confundindo-se consigo mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali dançavam as árvores antes de serem árvores, ao som e ao sabor de um vento que era a música que a nada aludia - simples som bruto, que levava consigo o sussurro das coisas vivas e mortas, das coisas animadas e inanimadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ali que Deus – antes, obviamente, de ser batizado – pariu dentro de si a sua obra mais mal-acabada, imperfeita e incapaz. Foi ali que Deus construiu a corrupção de si mesmo, a desarticulação do tudo que era e que não achava que poderia deixar de ser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levando ao limite sua própria capacidade criativa, quis Deus fazer alguma coisa que não fosse como o resto – um pequeno e frágil brinquedo, incapaz de ser tudo ao mesmo tempo. Mas o brinquedo não respondeu logo aos seus desígnios, e foi considerado uma espécie de estorvo inútil. Era pura e simplesmente uma coisa muda, um monte de carne que não aparentava diferenciar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temeroso e orgulhoso, Deus não aceitou essa afronta à sua onipotência, e logo se pôs novamente a construir algo que não fosse tudo. Cá e lá fez uns ajustes no projeto inicial, mas a princípio ficou desapontado consigo: a coisa nova novamente o decepcionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu-se, porém, que as duas frustrantes invenções de Deus se puseram lado a lado um dia. Olharam-se por alguns instantes, até o momento em que a invenção mais nova tomou a atitude que modificou o destino do Universo: ao ver uma criatura longa e delgada que rastejava pelo chão, olhou para seu colega, arregalou os olhos e apontou. A invenção mais velha, assustada, percebeu que a coisa apontada era de uma cor diferente da sua; além disso não tinha pernas, não tinha uma cabeça redonda, mas sim uma achatada e em forma de seta. E, a partir daí, ambos observaram todo o redor e perceberam a esmagadora diferença eles e tudo o que não era eles – e até perceberam, enfim, o imenso abismo de diferenças que havia entre os dois, os quais não eram de forma alguma a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesse momento, único e impossível de ser reproduzido, que a palavra tudo deixou de fazer sentido e passou a ser apenas uma palavra. Foi nesse momento que Deus foi batizado, e entendido como a coisa criadora de toda aquela indestrutível diversidade. Foi Deus, por fim, cultuado justamente por ter dado àquelas duas invenções – as quais chamaram-se a si mesmas pelos nomes de “Homem” e “Mulher” – a matéria à qual a criatividade seria capaz de dar tantos nomes quanto quisesse, fragmentando tudo na fé de que o todo poderia ser encontrado no mais ínfimo pedaço de todas as coisas. E assim o Deus nomeado deixou de existir, posto que já era algo diferente de si mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-6359634502344724509?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/6359634502344724509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=6359634502344724509' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/6359634502344724509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/6359634502344724509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2011/07/genese.html' title='Gênese'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-7232808039632061884</id><published>2011-07-02T23:06:00.000-07:00</published><updated>2011-07-04T18:46:47.763-07:00</updated><title type='text'>Sobre universidades e seus "níveis"</title><content type='html'>Hoje, só pra variar um pouco, trataremos de um assunto polêmico: &lt;a href="http://oglobo.globo.com/educacao/vestibular/mat/2011/06/30/ufrj-acaba-com-vestibular-enem-2011-sera-unica-forma-de-acesso-924805348.asp"&gt;a recente adoção integral, por parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro, do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) como única prova a ser realizada por aqueles que pretendem ingressar nos cursos daquela universidade&lt;/a&gt; (recomendo, para que haja um bom entendimento do presente texto, que o link acima seja lido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, uma nota de sinceridade deve ser feita por mim: eu não sou, nem de longe, um especialista no assunto “educação”. Sendo assim, meu objetivo aqui se prende aos meus limites: não vou entrar – ou entrarei tanto quanto me for possível – numa discussão sobre a legitimidade, a eficiência ou o método do ENEM enquanto forma de avaliação da qualidade do ensino no Brasil e como forma de acesso às vagas em universidades. Ao invés disso. buscarei discutir com algumas formulações que tenho ouvido e lido por aí, as quais atacam a medida da UFRJ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao notar a indignação de algumas pessoas quanto à questão, preocupei-me ao perceber que na maioria dos casos (mas não em todos, evidentemente)lançava-se mão de argumentos excessivamente elitistas para a defesa dos pontos de vista: ao que parece, a adoção do ENEM estaria aí para “diminuir o nível” da Universidade, posto que esse exame seria mais “fácil” do que era o tradicional vestibular da UFRJ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente, não vejo o ENEM como uma prova muito adequada para a avaliação dos estudantes: ele realmente é excessivamente longo, constituindo-se mais em teste de resistência do que em uma mensuração de conhecimento e de habilidades cognitivas. Isso, porém, é secundário para a nossa argumentação. Nosso ponto, aqui, diz mais respeito ao fato de que muita gente – gente capaz, inteligente (o que até assusta mais) – acha que o ENEM é pouco “seletivo”, e coloca alunos “bons” – leia-se: alunos oriundos de escolas em sua maioria caras e de camadas mais abastadas de nossa sociedade – mais ou menos em pé de igualdade com alunos “ruins” – ou seja, alunos oriundos de escolas públicas, de escolas particulares mais baratas e de camadas menos abastadas de nossa sociedade. Em suma: quase todo mundo entende (como eu) que a adoção do ENEM é um tipo de ferramenta de inclusão de estudantes pobres e/ou vindos de escolas públicas em cursos de nível superior, vendo, porém (diferentemente de mim), essa inclusão como algo que potencialmente diminuirá o “nível” dos cursos de graduação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha humilde opinião, esse tipo de argumento é furado por uma série de razões. Em primeiro lugar, &lt;a href="http://www.ifcs.ufrj.br/~observa/relatorios/DesempenhoCotistasUFBA.pdf"&gt;até onde eu sei&lt;/a&gt; as universidades que adotaram o sistema de cotas, por exemplo – o qual, supostamente, também diminuiriam o “nível” dos cursos universitários por ser um sistema inclusivo e "pouco meritocrático" – perceberam que os alunos que alcançam o ensino superior por esse meio possuem um desempenho tão bom quanto seus colegas que prestaram o vestibular tradicional. Portanto, tendo sido derrubado pelos fatos esse senso comum grosseiro e extremamente elitista, fica a seguinte questão: qual é, afinal, o problema de se excluir o vestibular “tradicional” e se estabelecer uma avaliação que coloque em pé de (suposta) igualdade tanto os estudantes menos dotados de vantagens materiais e aqueles alunos que têm dinheiro para serem adestrados pelos cursinhos pré-vestibulares?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feita de maneira breve essa discussão,ainda ficam alguns problemas. O mais importante deles está ligado ao argumento de que “são os alunos que fazem a universidade”, e que portanto alunos de escolas públicas que são pobres puxariam para baixo as universidades. À parte a já denunciada natureza sofismática do argumento, ele possui um outro erro: ao que parece, o que constrói o sistema educacional e sua qualidade é o “esforço” individual dos alunos. Em algum nível, isso até é verdade. Entretanto, se entendemos e concordamos um pouco com Bourdieu (que, grosso modo, afirma que as desigualdades sócio-econômicas se reproduzem dentro do sistema educacional), também é verdade que a qualidade do desempenho escolar/universitário é infinitamente mais difícil para pessoas mais pobres – e, assim, o &lt;a href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-40362005000400004&amp;script=sci_arttext"&gt;pensamento meritocrático vulgar cai por terra&lt;/a&gt;, já que não estamos falando de sujeitos que partem de lugares iguais e que dispõem de tempo e oportunidades semelhantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, se queremos um sistema educacional mais igualitário, devemos sim apoiar a inclusão de estudantes oriundos de camadas mais pobres no sistema universitário – afinal, o mérito é uma coisa que, na maioria dos casos, não passa de uma falácia elitista. Porém, isso por si só não basta: se não são dadas aos alunos condições materiais para que continuem seus estudos, o mesmo sistema perverso acaba se reproduzindo, acontecendo, por exemplo (como já acontece), o número absurdo de evasão que observamos na maioria dos cursos de graduação. E se, ao mesmo tempo – ou não – queremos um sistema universitário de “nível elevado”, não devemos nos dirigir contra os estudantes mais pobres como se eles fossem párias responsáveis pela decadência da universidade. Ao invés de concentrarmos nossa atenção contra o método de inclusão de novos alunos, deveríamos garantir que nossos professores fossem bem pagos e qualificados, que nossos laboratórios fossem bem equipados, que a estrutura física da universidade possibilitasse uma melhor formação. Deveríamos, por exemplo, protestar contra os cortes feitos no orçamento do Ministério da Educação – algo contra o que, aliás, pouca gente parece se indignar – ao invés de acharmos que pobre não tem direito de se formar no ensino superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: &lt;a href="http://www.revista.vestibular.uerj.br/artigo/artigo.php?seq_artigo=6"&gt;aqui&lt;/a&gt;, encontram-se dados relativos à política de cotas da UERJ. Dá uma olhada, que mesmo na crueza dos números já ficam óbvias algumas coisas que estão mais ou menos presentes no texto acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.2: &lt;a href="http://aneldetucum.wordpress.com/2011/07/03/o-enem-a-burguesia-e-suas-facetas/"&gt;Aqui&lt;/a&gt;, uma crítica ácida, competente e precisa direcionada ao discurso preconceituoso e elitista das pessoas "esclarecidas" que se posicionaram contra essa óbvia profanação da sacralidade institucional da UFRJ.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-7232808039632061884?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/7232808039632061884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=7232808039632061884' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/7232808039632061884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/7232808039632061884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2011/07/hoje-so-pra-variar-um-pouco-trataremos.html' title='Sobre universidades e seus &quot;níveis&quot;'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-3580406627299267768</id><published>2011-06-04T19:56:00.000-07:00</published><updated>2011-06-04T20:06:02.938-07:00</updated><title type='text'>Pedido</title><content type='html'>Meus caros leitores e leitoras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é bem provável que o texto a seguir apresente uma série de problemas teóricos, de injustiças e inverdades factuais, históricas; imagino, também, que minha metodologia não seja lá muito apropriada em relação a meus propósitos, e que, talvez, meu texto contenha uma série de erros gramaticais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo, porém, não me importa nesse exato momento. Minhas palavras, escritas à noite - em meio a uma perturbada insônia - não são fruto de uma longa reflexão, de uma concatenação precisa de argumentos racionalmente estabelecidos. Elas são, na verdade, a junção de um conjunto de intuições e de pressentimentos, de preocupações profundas e de desesperanças aterradoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos um momento decisivo, amigos (talvez, é verdade, todos os "momentos" sejam decisivos em algum sentido; porém, é meu dever egoísta chamar a atenção para o meu). Encontramo-nos, agora, em meio a um turbilhão sócio político, em meio a um claro processo de transição. Nosso país se coloca cada vez mais no jogo dos grandes: já não somos mais peça estratégica a serviço de quem quer que nos deseje impor ordens. Também atingimos um nível tal de inserção democrática e de integração informacional de nossa população - por mais frágil e problemática que seja essa inserção - que já podemos pensar em inúmeras formas alternativas de espalhar o conhecimento, de generalizar e expandir discussões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca, em toda a história do nosso Brasil, as pessoas manifestaram de maneira tão clara suas volições, seus valores, seus preconceitos - seja para (o que eu considero ser) o mal, seja para (o que eu considero ser) o bem. As opiniões e seus representantes (porque opiniões nunca são integralmente e apenas pessoais) nunca se chocaram de maneira tão frontal, óbvia; o número de possibilidades nunca foi tão grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que eu, inserido em meu sistema binário de reconhecimento e classificação do mundo, consigo enxergar dois lados que hoje lutam, de forma difusa, multiforme, generalizada, pelo domínio das ações em nosso país. Temos, como combatente mais forte e estruturado, o lado do pensamento conservador, do pensamento e da ação que quer se impor sobre o corpo de outras pessoas, e que quer sancionar sobre os mais precisos aspectos do lado mais íntimo dos seres humanos. Esses tipos de práticas - físicas e intelectuais -, ao contrário do que imaginamos, não nascem de uma cúpula de razão que distribui funções e designa lugares aos indivíduos; ela age dentro de todos nós, está em todos os lugares, em todos os detalhes; e, por isso mesmo, exige de qualquer um que se lhe oponha uma atitude de constante auto-correção, sob a ameaça de dominar o mais libertário dos libertários.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, como combatente (momentaneamente) mais enfraquecido e confuso,como azarão nessa luta, se encontra o conjunto de discursos e a práticas que pretendem iniciar um processo cada vez mais acentuado de avanço das liberdades individuais, aliado à ascenção da igualdade como uma realidade mais próxima (tão próxima quanto for possível). Longe de ser mais inconsistente ou necessariamente menor do que seu rival, esse lado da disputa sofre do imenso problema de não encontrar uma coesão interna: enquanto seu inimigo - que não é, sejamos justos, o maior exemplo existente de coesão e organização - se articula com maior facilidade e se encontra mais generalizado (por inúmeras razões, as quais não discutiremos aqui), o lutador mais fraco se encontra infinitamente fragmentado em inúmeras correntes, em infindáveis subdivisões e proposições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais imprecisa e simplista que seja a minha constatação - afinal, todos os que tentam resumir em um ou dois parágrafos processos e circunstâncias que involvem imponderáveis detalhes e um número absurdo de possibilidades são charlatães, muito embora esse charlatanismo seja tão necessário quanto é criticável -, acredito que é hora de nós, que nos posicionamos ao redor da luta pela conquista de direitos sociais, políticos e existenciais, percebermos e priorizarmos o que nos liga - e não o que nos separa. Já nos separamos por tempo demais, e essa separação nos custou uma série de derrotas. O outro lado, que se encontra poderoso, cheio de si, obriga todo um Estado, todo um gigantesco sistema institucional, a se curvar diante de suas próprias necessidades. Suas palavras desmobilizadoras, desqualificantes, (mais ou menos) unívocas ecoam por toda a nossa sociedade, e seus efeitos se fazem sentir sobre aqueles que têm a audácia de desafiá-lo - afinal, é evidente que muitos estão pagando com as próprias vidas, num claro processo de extermínio da dissonância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É hora (ou já passou da hora) de fazermos com que nossas vozes também se façam ouvir: o mundo nunca permitiu tanto isso, e é provável que tal realidade se dissolva no caso de perdermos definitivamente as rédeas da história. É paradoxal que a integração não tenha se tornado a &lt;b&gt;nossa&lt;/b&gt; integração, e precisamos corrigir isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-3580406627299267768?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/3580406627299267768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=3580406627299267768' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/3580406627299267768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/3580406627299267768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2011/06/pedido.html' title='Pedido'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-4004778207884860488</id><published>2011-05-26T17:42:00.000-07:00</published><updated>2011-05-26T17:46:51.272-07:00</updated><title type='text'>Da decepção</title><content type='html'>Ano passado, eu votei na Dilma. Não me arrependo disso, principalmente porque sabia que o candidato que se lhe opunha representava tudo o que eu acreditava que não seria bom para o nosso país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já sabia que a governabilidade petista dependia em muito dos pactos feitos com o PMDB; também sabia que o PT não poderia ir muito longe em seu "progressismo" se fosse diretamente ao encontro dos preconceitos e dos grupos conservadores da nossa sociedade. Tais eram fatos difíceis de engolir, mas que se impunham. Afinal, um governo que se queira viabilizar tem de fazer acordos e ceder em algum nível. O importante aqui, porém, é que, apesar dos muitos pesares, Lula e sua equipe conseguiram implementar um projeto político no Brasil, projeto esse que, na minha opinião, era o melhor possível; e Dilma era a perspectiva de continuidade do que estava dando certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feito esse esclarecimento, o ponto que pretendo atingir, o desabafo que pretendo realizar após um enfadonho preâmbulo é seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com quase seis meses de governo Dilma, estou me sentindo traído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me traído porque tenho a convicção de que os avanços das conquistas por direitos sociais devem ser seguidas por um avanço da democracia. Se, por um lado, cresce a classe média e diminui a miséria, deve se iniciar um processo de inserção da população nos processos decisórios. De autoritarismo e de paternalismo, a nossa sofrida história já está cheia; a meu ver, não poderia existir um momento mais propício para que os jogos políticos fossem abertos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu ponto, aqui, é o seguinte: quem foi, presidenta, que lhe deu o direito de manter no lugar a cabeça do Palocci, em troca do retrocesso relativo à distribuição dos kits anti-homofobia? Que projeto de esquerda é esse que você defende, em que a sobrevivência de um ministro é mais importante do que um avanço claro e manifesto em direção a uma nação menos preconceituosa e mais igualitária? NADA deve ficar na frente da garantia de direitos civis BÁSICOS à população, e não há proteção a articulador político que esteja acima disso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito, sinceramente, que mesmo um passo grande como o reconhecimento da união civil estável entre pessoas do mesmo sexo não é mais importante do que ensinar às futuras gerações que existem inúmeras formas de estar no mundo, e que o respeito à diferença é uma obrigação de todos nós. Apenas assim, propondo, através da escola, a tolerância e o respeito, poderemos caminhar em direção a um país mais justo. Se não muda a percepção dos agentes em relação à realidade, a mudança da lei passa a ser obsoleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que parece, porém, a prioridade do governo Dilma é pura e simplesmente existir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-4004778207884860488?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/4004778207884860488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=4004778207884860488' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/4004778207884860488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/4004778207884860488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2011/05/da-decepcao.html' title='Da decepção'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-8925331884250765037</id><published>2011-03-22T19:53:00.001-07:00</published><updated>2011-03-22T19:53:32.524-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Há algum tempo, publiquei neste espaço certas reflexões sobre a composição musical que mais amo, o quarteto de cordas nº15, op. 132, do Beethoven. Hoje, novamente, pretendo falar à minha maneira de uma outra obra  pela qual sou completamente apaixonado: o concerto para piano e orquestra nº 1, de Johannes Brahms.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me é permitido escolher, dentre os gênios disponíveis, um compositor para preferir, tal compositor certamente seria (atualmente) Brahms. Apesar de, a meu ver, Ludwig Van ter dado à humanidade a coisa mais bela, desconcertante, fantástica e profunda que o gênio humano foi capaz de produzir (o já mencionado quarteto nº15, que certamente redimirá os pecados de toda a humanidade caso o mundo realmente acabe ano que vem), O bom Johannes conseguiu igualar seu conterrâneo em brilhantismo por ter construído uma obra que, no todo, é quase que completamente irretocável: escute qualquer coisa minimamente bem interpretada dele que, garanto, ficarás extasiado, embriagado, maravilhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, mesmo em meio a composições de nível tão elevado, ouso separar uma peça que para mim está acima das outras. Tal peça é, justamente, o já mencionado concerto nº 1. Inserido no universo brahmniano, cuja “linha mestra” é, no meu entendimento, a busca incessante pela máxima expressão da subjetividade humana, o concerto nº 1 parece apresentar uma diferença em relação a seus, digamos, irmãos e irmãs, ao possuir uma estrutura essencialmente narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse concerto, segundo minha livre interpretação, o que acontece é um diálogo entre uma subjetividade ao mesmo tempo sutil, bela e sensível, e a sobriedade grandiosa de um mundo exterior que a tenta sufocar. Os berros desse mundo exterior, na maioria das vezes tão silenciosos e ao mesmo tempo tão fatais fora da música, ganham nela uma voz gigante e esplendorosa, magnífica em sua fatalidade, que já nas primeiras notas do primeiro movimento apresentam suas prerrogativas. Em seguida a isso, tímida e frágil, a voz doce do piano vai surgindo quase que melancólica, tentando atingir a luz da expressão, sendo constantemente interrompida em seu caminho ascendente pelos urros imperativos da orquestra, que não aceita de forma alguma o seu germinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo movimento, eu interpreto como uma espécie de resignação melancólica da voz engolida pelo mundo, que ali encontra uma orquestra um pouco mais condescendente e disposta a conversar. Incrível notar o quanto aquela resignação parece sempre levemente esperançosa, sem nunca descambar para a tristeza niilista de negar a si e ao mundo. Linda, ela se apresenta em toda a sua profundidade, que vai além de categorias tolas e puras do “triste” e do “feliz”. Ela simplesmente precisa existir, e está consciente de que a existência requer, sim, um pouco de conformar-se. Essa conformação, entretanto, nunca se transforma em “dizer não à vida”; isso porque, no fim das contas, o pianista está dedilhando seu piano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terceiro movimento, portanto, parece-me que o timbre antes triste e solitário do piano se mistura à orquestra, numa celebração vívida da condição humana. Afinal, apesar de o mundo nos arrastar por vezes como se nada fôssemos, somos capazes de manipulá-lo minimamente, nem que essa manipulação seja meramente o fato de nós o enxergarmos com nossos próprios olhos. Por vezes hesitante, o apreço pelo mundo ao seu redor vai ocupando espaços cada vez maiores na expressão do instrumento de concerto, que no fim das contas, ainda um pouco desconfiado, celebra a vida com a orquestra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-8925331884250765037?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/8925331884250765037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=8925331884250765037' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/8925331884250765037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/8925331884250765037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2011/03/ha-algum-tempo-publiquei-neste-espaco.html' title=''/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-7109965364908297162</id><published>2011-03-15T19:04:00.000-07:00</published><updated>2011-03-15T19:04:57.174-07:00</updated><title type='text'>A transvaloração de meus valores</title><content type='html'>Amanhã, largo momentaneamente meu ateísmo convicto e as obrigações acadêmicas para ir a alguma igreja acender 10 velas e/ou me consultar com alguma entidade de Umbanda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso porque, hoje, eu quero mais do que tudo que o Flu passe de fase na Libertadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, hoje, eu quero mais do que tudo que o Muricy vá para o Santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, hoje, eu sei que caso isso aconteça, a desforra virá. Se exsiste Deus, Justiça, Bem Maior, isso acontecerá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: quem é honesto, não precisa dizer. A coisa fica clara (o que, obviamente, não acontece no caso de Muricy Ramalho).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-7109965364908297162?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/7109965364908297162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=7109965364908297162' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/7109965364908297162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/7109965364908297162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2011/03/transvaloracao-de-meus-valores.html' title='A transvaloração de meus valores'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-3963117748140747747</id><published>2010-11-24T14:55:00.000-08:00</published><updated>2010-11-24T14:55:28.911-08:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro: cidade sitiada</title><content type='html'>Às vezes, é extremamente difícil não ter uma percepção contínua da História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, acordou e viveu o Rio de Janeiro num estado de pânico. Não sabemos, até agora, em que medida tal estado é justificado: tendo nós à nossa disposição a mídia que temos, é difícil não duvidarmos das informações que recebemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os fatos que agora se desenrolam, aumentados ou não, têm um imenso vínculo com o passado, e não um passado remoto (muito pelo contrário); particularmente, eu os credito ao último processo eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal vínculo se dá, ao que me parece, por conta das propagandas exageradas ao redor da UPP. Essa política pública (na minha opinião, opressiva sobre uma certa parcela da população e de eficácia bastante questionável se analisada a partir de uma perspectiva ampla), extremamente alardeada durante o período imediatamente anterior às eleições de 2010, obteve esse tratamento quando o governador Sérgio Cabral percebeu que, tendo feito um governo de avanços medíocres na educação, na saúde, etc., a única plataforma de campanha viável e de amplo apoio popular era sua "nova" política de segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propaganda, entretanto, não chega apenas à população em geral. Ela chega também aos ouvidos das organizações criminosas, que, como a maior parte dos cariocas, acreditam que a longo prazo a UPP pode realmente criar um contexto de repressão quase que absoluta da criminalidade. Tal fato, aliado ao pensamento mais marqueteiro do que estratégico de nossos administradores públicos (que fecham os olhos às regiões realmente mais afetadas pelo tráfico e pelas milícias, preferindo assegurar, primeiro, a segurança das camadas médias e altas da sociedade), cria um contexto em que pontos estratégicos da cidade continuam à mercê de traficantes, facilitando sua ação.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo, o que agora observamos é a junção de dois fatores imediatos (porque sabemos que as causas sociológicas da criminalidade são infinitamente mais profundas do que as que agora apresento): 1)um marketing exagerado sobre uma política de segurança, que causou uma reação do tráfico; e 2)uma política de segurança pública que é quase pura retórica, e que não leva em consiferação os pontos realmente estratégicos e mais violentos da cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o que se vê é uma imprensa que consulta certos cientistas sociais cuja reflexão é fantasticamente superficial (os profetas do óbvio), e só vem confirmar aquilo que se alinha com os interesses do governo do Rio. Percebemos um incrível malabarismo, absurdo a meu ver, para afirmar que a atual situação de "caos" é fruto do trabalho intensivo e competente das autoridades estaduais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se dá é fruto de um erro estratégico, isso não pode ser negado; entretanto, devemos compreender a real abrangência de políticas de segurança que contam apenas com a repressão policial à criminalidade. Porque a polícia, ao contrário do que disse Weslyan Roriz, não pode estar em todos os recantos da cidade; a partir disso, o necessário é criar uma situação de combate ao crime (esse tipo de crime, filho da pobreza e da precariedade) que ataque as bases desse. Tal seria um processo verdadeiramente a longo prazo, que deveria ser aguardado pacientemente até que, enfim, chegásemos a uma situação próxima do ideal. Entretanto, políticas públicas não-imediatistas e com amplo e real poder de modificar a sociedade não servem para angariar votos e para perpetuar no poder grupos que vivem da corrupção, da miséria alheia, da real "ausência do Estado"...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-3963117748140747747?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/3963117748140747747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=3963117748140747747' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/3963117748140747747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/3963117748140747747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/11/rio-de-janeiro-cidade-sitiada.html' title='Rio de Janeiro: cidade sitiada'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-3196180801854607135</id><published>2010-11-23T16:37:00.000-08:00</published><updated>2010-11-23T16:43:46.014-08:00</updated><title type='text'>Querem matar o futebol</title><content type='html'>O futebol é um esporte eminentemente brasileiro. Digo isso não apenas pelo fato de os melhores jogadores do mundo em toda a história serem de nosso país; nem tampouco pelos revolucionários malabarismos táticos propostos pelos europeus, muitos dos quais nascidos da aparente invencibilidade de certas equipes que outrora vestiram a camisa amarela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, o futebol não é nosso apenas porque nós somos os melhores nesse esporte, porque obrigamos os outros a darem um jeito de lidar com nossa insolúvel superioridade; o futebol é nosso porque nós o amamos mais do que qualquer um, e no meu mundo as coisas pertencem a quem é mais dedicado a elas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras freguesias, é verdade, magnatas e empreendedores dão ao nosso esporte roupas e jóias brilhantes, adornando com as modas mais modernas o jogo da bola nos pés. Em estádios do exterior, o que se vê são os “artistas da bola” pisarem em verdes tapetes, ao som dos insosos “uhs” e “ahs” emitidos pela platéia cada vez mais passiva, elitizada e civilizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, aqui, o futebol não é negócio não. É coisa sentida. Ai de quem me chamar de consumidor no Maracanã! Lá eu sou sei-lá-o-quê, criatura de nome indefinido; não sou ninguém e sou todos. Grito junto sem precisar de aviso ou sinal, canto em uníssono com pessoas que nunca vi... sou o reflexo do que vejo no campo, e creio fielmente que posso intervir em algo que, segundo alguns imbecis da objetividade, foge ao meu controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis, entretanto, que o futebol brasileiro entra num processo de virar outra coisa. De repente, torcedores são obrigados a enfiar a bunda em cadeiras de plástico frio, engolindo cachorros-quentes de ouro, num silêncio cada vez mais aterrador. A integração com a coisa vista, a consciência inconsciente do torcedor de que ele é parte integrante do todo do espetáculo, está indo por água abaixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se vê é um processo de destruição de uma coisa que é de todos nós, e que só existe por isso. No local em que, outrora, a língua oficial era o palavrão, demagogos estúpidos proclamam a lei da boca limpa; junto deles, um certo segmento da sociedade, dono de todos os preceitos morais da boa cristandade, se vale de um discurso preconceituoso e moralista para defender pontos de vista que não fazem sentido algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque dizer que a suposta moralidade distorcida da população brasileira se reflete na maneira como encaramos o futebol é algo extremamente esdrúxulo. Futebol não é pra ser correto, justo, nem nada disso. O esporte tem regras, isso é claro; entretanto, burlá-las não é crime. Isso porque, como diz o filósofo, o esporte brasileiro é “a mais importante das coisas menos importantes”; ele não é nem um reflexo de nossa sociedade, e muito menos um mero esporte; é, com o perdão do clichê, a mais generalizada das paixões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro disso, aliás, cabe ressaltar que a paixão pelo futebol não nos dá o direito de sairmos no braço com ninguém pelo simples fato de esse alguém vestir a camisa de um clube que não o nosso; os que fazem isso são antes imbecis que nada têm a ver com clubes e com paixões, homens sem objetivos e sem preocupações que lhes façam, pelo menos, zelar pela própria sobrevivência. Quem gosta de futebol, essa arte esportiva, xinga e odeia o clube dos outros na medida em que vê nesse clube a possibilidade de ser melhor do que o seu. O ódio que descrevo, nesse sentido, nunca é contra o torcedor: é contra sua bandeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando o argumento: a quebra das regras, no futebol, pode inclusive ser heróica. Que o diga Maradona, o homem que vingou seu país de uma estrondosa derrota bélica com um gol de mão. Se fosse com o pé, a vitória seria menos vitoriosa; quiçá, vergonhosa. Na Argentina pós-86, crianças não passaram a roubar na rua e nem o número de sonegadores aumentou; a vitória argentina sobre os ingleses foi apenas uma vitória, enfiada na guela dos bretões com requintes de crueldade. E, aqui pelo Brasil mesmo, duvido que qualquer um não se regozije ao ver a formidável e histórica cotovelada que o Pelé deu nas fuças de um João uruguaio, fazendo com que esse, além de apanhar, tomasse um cartão amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que o que eu digo não quer dizer nada a ninguém. Mas eu digo mesmo assim. Ninguém vai ler isso aqui, e dentro de alguns anos o ingresso para ver jogo em estádio será inacessível para grande parte da população. De qualquer forma, tenho raiva: raiva porque completos imbecis pretendem destruir um esporte que só existe por conta das massas; raiva porque, daqui a pouco, xingar palavrão em estádio será coisa de tomar processo. Termino, pois, dedicando um inigualável aforismo de Nietzsche aos professores da “ética no esporte”:&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;“Ética é o meu ovo esquerdo.”&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-3196180801854607135?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/3196180801854607135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=3196180801854607135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/3196180801854607135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/3196180801854607135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/11/querem-matar-o-futebol.html' title='Querem matar o futebol'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-7629556053753954155</id><published>2010-11-16T10:50:00.000-08:00</published><updated>2010-11-18T15:13:59.143-08:00</updated><title type='text'>Doutor Jivago</title><content type='html'>Há poucos dias, andei revendo o clássico &lt;i&gt;Doutor Jivago&lt;/i&gt;, dirigido pelo consagrado David Lean (que também é diretor dos fantásticos &lt;i&gt;A ponte do rio Kwai&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Lawrence da Arábia&lt;/i&gt;). O longa, ganhador de cinco prêmios da Academia, é um épico reconhecido por quase todos os apaixonados pela sétima arte como um dos melhores filmes da história do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito embora eu tenha minhas opiniões de cunho estético sobre o mérito cinematográfico de &lt;i&gt;Doutor Jivago&lt;/i&gt;, não é a tais opiniões que pretendo me referir aqui. Gostaria, apenas, de falar sobre alguns dos aspectos do discurso que esse filme parece, na minha opinião, transmitir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, para quem não viu o filme (corre pra ver, meu filho!), vou contar rápida e superficialmente sua premissa: o desenrolar da narrativa inicia-se no contexto das agitações imediatemante anteriores à Revolução Russa. Conta a história de um jovem médico que, em meio à revolução, tenta reconstruir sua vida, ao mesmo tempo em que lida com uma paixão paralela a seu casamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirando de nosso foco a bela trama amorosa apresentada em &lt;i&gt;Doutor Jivago&lt;/i&gt;, vejo nesse longa algo que, para mim, é por demais interessante: ele demonstra a sincera perplexidade dos indivíduos criados no ambiente cultural anglo-saxão diante das possibilidades criadas pelo socialismo. No filme citado, isso fica tão claro que chega ser engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim,&lt;i&gt;Doutor Jivago&lt;/i&gt;, como eu já disse, tranborda de juízos (quase todo eles negativos) em relação àquilo que a Revolução Russa conseguiu instalar na Rússia. Não quero, aqui, ser um daqueles teóricos da conspiração que dizem que a indústria cinematográfica das suprproduções seve para instalar na cabeça das pessoas do mundo todo o ideário da dominação imperialista anglo-saxã; minha pretensão é, apenas, mostrar o quanto americanos e britânicos normalmente não conseguem conceber determinadas coisas buscadas pelo socialismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, o filme dirigido David Lean parece se colocar contra as óbvias injustiças cometidas pelas elites russas contra o povo. Isso fica claro, por exemplo, na cena em que a cavalaria do exército russo massacra cruelmente uma pacífica manifestação de trabalhadores, que protestavam pela melhoria de suas condições de vida. Mas, apesar dessa tendência anti-opressora, o longa parece condenar algumas das modificações impostas pela Revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso fica claro, por exemplo, na cena em que um dos personagens do filme volta à sua mansão. Essa, ocupada por representantes da Revolução, tornara-se moradia coletiva, dividida entre pessoas colocadas, ali, em situação de igualdade. Podemos perceber, ali, o quão estranha é, na ótica de um americano ou de um inglês, a ideia de que a propriedade privada talvez mais valorizada, o "lar", possa ser compartilhado com a "coletividade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo que esse estranhamento está mais no ponto de vista do diretor e da produção do longa do que, necessariamente, no ponto de vista dos personagens, porque o questionamento da realidade imposta pelo Comunismo não está, que eu me lembre, nas palavras de Jivago ou de qualquer um dos protagonistas; o estranhamento está, na verdade, na personagem claramente caricata da agente da Revolução, que impede que o antigo dono da casa tome posse de seus "bens". Também está (de maneira mais contundente, a meu ver), por exemplo, no tratamento igulmente caricato que é dado ao revolucionário Pasha, um exemplo quase que ideal-típico de racionalidade maquiavélica e de burocrata.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-7629556053753954155?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/7629556053753954155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=7629556053753954155' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/7629556053753954155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/7629556053753954155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/11/doutor-jivago.html' title='Doutor Jivago'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-4874911422329469044</id><published>2010-10-20T14:52:00.000-07:00</published><updated>2010-10-20T15:25:35.647-07:00</updated><title type='text'>Jogo rápido: um exemplo da "imparcialidade" da imprensa nativa</title><content type='html'>&lt;a href="http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/artigo.aspx?cp-documentid=26015892"&gt;Aqui&lt;/a&gt;, é noticiado um confronto entre militantes do PT e "militantes" do PSDB. Leia a matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, você deve ter percebido a violação de um dos mais básicos preceitos do jornalismo: aquele que diz que, em uma situação em que duas (ou mais) partes entram em conflito, deve-se buscar o ponto de vista de ambas sobre o caso. Cadê a versão dos militantes do PT sobre o assunto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver uma merda dessas acontecer, fico me perguntando: até quando essa imprensa golpista, parcial e comprometida com interesses escusos vai manipular e omitir fatos no Brasil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: segundo&lt;a href="http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2010/10/20/preto-e-a-causa-do-conflito-que-atingiu-serra-ele-nao-teve-nada/?utm_source=twitterfeed&amp;utm_medium=twitter"&gt; esta&lt;/a&gt; fonte, o ataque sequer foi feito por militantes do PT.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-4874911422329469044?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/4874911422329469044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=4874911422329469044' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/4874911422329469044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/4874911422329469044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/10/jogo-rapido-um-exemplo-da.html' title='Jogo rápido: um exemplo da &quot;imparcialidade&quot; da imprensa nativa'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-8728418152864786124</id><published>2010-10-18T18:52:00.000-07:00</published><updated>2010-10-18T18:52:17.606-07:00</updated><title type='text'>Beethoven e eu</title><content type='html'>Tem gente que considera a nona sinfonia de Beethoven a melhor coisa que o ser humano, enquanto espécie, conseguiu realizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que minha opinião conte de alguma coisa, mas eu discordo. Apesar de desconhecer qualquer coisa relativa a harmonia,  arranjo, orquestração, em suma, a qualquer tipo de aspecto técnico da música, minha experiência de apreciador da arte me faz querer simplesmente dizer o que eu penso sobre a obra do grande gênio alemão.&lt;br /&gt;A meu ver, o que há de mais belo na obra de Beethoven são dois de seus quartetos de cordas: os de número 14 e 15. Essas, sim, são obras para serem colocadas ao lado da roda, do futebol e da internet como duas das mais fantásticas coisas que a humanidade produziu. Escutar tais composições me faz pensar que, apesar dos pesares, nossa passagem pelo mundo não está sendo de todo ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses quartetos de que falo não são grandiosos como a Nona (aliás, o formato de quarteto de cordas sequer permite esse tipo de grandiosidade), nem têm aquela admiração suave e sincera pela natureza da Pastoral; tampouco transbordam aquela emoção rasgada do concerto para violino em Ré Maior. São obras simples, contidas, e que, ao mesmo tempo, chegam muito perto de transmitir com exatidão a complexidade da alma humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal fato acontece porque Beethoven percebeu que nós, animais culturais, não vivemos pelas grandes causas. Muito embora acreditemos, por vezes, que dedicamos nossa vida ao mundo, somos, ao fim e ao cabo, um composto de emoções que se chocam, que se sobrepõem, que se substituem, que coexistem. Nossa maior luta é interna, posto que dentro de nós inúmeras vozes falam e calam, sobem e descem, aparecem e desaparecem, e é nisso que estamos verdadeiramente concentrados. O resto, a manifestação externa do resultado dessas lutas, é de fato o que há de menos importante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto mostramos ao mundo a nossa constância, a nossa coerência, vivemos atormentados por nós mesmos. Queremos mudar, mas acreditamos que devemos às pessoas a manutenção de nossas posições. Baseamo-nos em indivíduos imutáveis, e acreditamos em sua vontade férrea; entretanto, ao escutar os quartetos de Beethoven, descobrimos que outras pessoas perceberam aquilo que é universal no homem: sua inconstância. E é esta a constatação que me mantém vivo: saber que eu não sou único, e que todos sentem o mesmo que eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-8728418152864786124?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/8728418152864786124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=8728418152864786124' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/8728418152864786124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/8728418152864786124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/10/beethoven-e-eu.html' title='Beethoven e eu'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-5076462251445290633</id><published>2010-10-12T19:31:00.000-07:00</published><updated>2010-10-12T19:32:11.254-07:00</updated><title type='text'>Sobre Tropa de Elite 2</title><content type='html'>Quem quer que me conheça pelo menos um pouquinho, sabe que eu sou uma pessoa que adora falar de assuntos polêmicos. Sendo assim, após assistir a uma película tão polêmica quanto &lt;i&gt;Tropa de Elite 2&lt;/i&gt;, não poderia me furtar o direito de fazer alguns cometários quanto a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, porém, desses comentários, gostaria de dizer que, apear das ressalvas que apresentarei a seguir, eu gostei do filme. Afora a forçada união de Fraga com a ex-mulher do cap. Nascimento, achei o roteiro do filme muito bem amarrado, com todos os personagens sendo bem explorados em todas as suas dimensões e, principalmente, bem representados pelos atores que participam do longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, apesar dessas qualidades, &lt;i&gt;Tropa de Elite 2&lt;/i&gt; é um longa comum em termos cinematográficos, não sendo nenhuma obra de arte. O que há de mais interessante, de mais rico nesse filme, é o quadro político-social que ele nos apresenta, bem como suas críticas e suas denúncias. Sendo assim, é precisamente sobre tais pontos que eu concentrarei minhas atenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, Padilha e sua trupe sabem que o espectador de seu filme não é idiota. Assim sendo, ele sabia que todos enxergariam, em &lt;i&gt;Tropa de Elite 2&lt;/i&gt;, determinados personagens da cena política e do cotidiano do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, os fatos ocorridos ao longo da narrativa possuem uma imensa semelhança com a realidade: a invasão ao presídio, a milícia tomando a Zona Oeste... tudo isso é coisa que qualquer bom carioca sabe que é verdade. Portanto, o longa tem, sim, um tom de denúncia dirigida à realidade de nossa cidade. Ele não é uma alegoria política como, por exemplo, &lt;i&gt;O cavaleiro das trevas&lt;/i&gt; de Chris Nolan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, enquanto documento etnográfico, &lt;i&gt;Tropa de Elite 2&lt;/i&gt; é irrepreensível. Demonstra um imenso conhecimento histórico, bem como uma percepção aguçadíssima de como verdadeiramente são as entranhas da polícia, da criminalidade e das instituições políticas do Rio de Janeiro (a consultoria de ex-policiais, políticos e sociólogis tem um grande papel nisso). Com isso, os espectadores certamente saíram do cinema conhecendo melhor o tal do "sistema" de que tanto fala o cap. Nascimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a meu ver, as novidades trazidas pelo filme não vão muito além disso.Como acontece em seu antecessor, &lt;i&gt;Tropa de Elite 2&lt;/i&gt; falha não por ser maniqueísta, como muitos disseram (ao contrário de muita gente, eu não acho que o cap. Nascimento tenha sido colocado como um herói matador de bandidos). Sua principal falha foi, em minha opinião, sua covardia na hora apontar o dedo na cara dos verdadeiros culpados pela triste situação de nossa cidade e de nosso estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que é muito simples, como fazem &lt;i&gt;Tropa de Elite&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Tropa de Elite 2&lt;/i&gt;, escolher um segmento de nossa sociedade e culpá-lo por todos os problemas: naquele, a culpa era do maconheiro; nesse, a culpa é dos políticos (em uma das últimas cenas, Nascimento sugere que a culpa do terrível panorama apresentado é culpa do presidente). Isso é o mais rasteiro senso comum, que habita nosso dia-a-dia no discurso "cansado de ver tanta podridão" de nossa classe média. Isso se reflete, por exemplo, no fato de o cinema ter aplaudido a cena em que o secretário de segurança pública do Rio é esmurrado por Nascimento. Tudo fica, portanto, muito simples: é só esmurrar e botar na cadeia o filho da puta do deputado, do vereador, do governador, do secretário, em suma, quem quer que seja o pária da vez, que as coisas se resolvem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o nosso mundo não é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "sistema", como o próprio filme sinaliza, se (re)produz apesar de seus membros morrerem, serem presos, &lt;i&gt;whatever&lt;/i&gt;. Isso não se dá porque "cada um quer adiantar o seu lado", como diz Nascimento em uma determinada cena. O sistema se (re)produz porque ele é parte intrínseca de nossa própria sociedade, desempenhando, inclusive, um importante papel em seu funcionamento. Em suma, o próprio poder em nossa cidade (e, talvez, em nosso país) foi constituído de maneira a dar brechas para que aquele panorama apresentado no filme fosse construído, sendo um de seus órgãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há, nesse sentido, ninguém livre de culpa, e Padilha não teve coragem de dizer isso. Ao falar, por exemplo, do papel da imprensa no "sistema", &lt;i&gt;Tropa de Elite 2&lt;/i&gt; apenas resvalou no assunto. Será que isso tem a ver com o fato de o filme ser produzido pela Globofilmes? Talvez. Mas fato é que a narativa seria muito mais interessante se Nascimento virasse o dedo pro lado de fora da tela, causando o profundo desconforto que o espectador certamente merece, dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sabe de quem é a culpa dessa merda toda? A culpa é sua, meu caro. É você que acha que faz o suficiente, que "faz a sua parte" pagando religiosamente seus impostos, cumprindo todas as suas obrigações, quem dá sustentação ao sistema. O que você não percebe é que o "sistema" que você tanto critica é sustentado por você, ele se alimenta da legitimidade que você a ele concede, de sua muda obediência. o que você não percebe é que, provavelmente, você votou no corno que eu espanquei agora, e que, portanto, você é tão responsável por isso quanto ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ao invés disso, cap. Nascimento fornece a quem o assiste um momento de maravilhosa redenção, executando os socos que cada um acha que merece dar na cara do "político que não presta". Com isso, mais uma vez, o discurso político de nossos artistas não faz mais do que meramente reproduzir um tolo senso comum, concedendo principalmente à classe média carioca o deleite de ver reproduzido aquilo que ela está cansada de saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-5076462251445290633?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/5076462251445290633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=5076462251445290633' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/5076462251445290633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/5076462251445290633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/10/quem-quer-que-me-conheca-pelo-menos-um.html' title='Sobre Tropa de Elite 2'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-5986215099244060522</id><published>2010-08-31T20:08:00.000-07:00</published><updated>2010-08-31T20:10:56.566-07:00</updated><title type='text'>Sexismo, um eterno inimigo.</title><content type='html'>Há apenas alguns minutos, &lt;a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/blogueira_convidada_sexismos_a_parte_por_marjorie_rodrigues.php"&gt;esse&lt;/a&gt; texto de Marjorie Rodrigues foi postado no blog "O Biscoito Fino e a Massa", de Idelber Avelar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Antes de acompanharem minha argumentação, por favor, leiam o texto acima linkado.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com muitas coisas ditas ali. Entretanto, creio que a vitória de Dilma diz muito menos à diminuição da violência discriminatória e machista diariamente praticada contra a mulher do que, por exemplo, ao "começo do fim" das oligarquias midiáticas brasileiras. Este último acontecimento, sim, está claramente em curso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o machismo, infelizmente, não será derrubado no Brasil apenas com a provável eleição de Dilma (como diz, aliás, o texto citado). Apesar de isso poder engendrar uma maior participação da mulher na política nacional, fato é que, em nossas práticas cotidianas, as mulheres continuam sendo um grupo extremamente ridicularizado em diversas atividades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, para que esse quadro mude, devemos utilizar o fator Dilma como uma propulsão para essa luta contra o sexismo. Uma "simples" vitória da mulher em um contexto macro não vai, por si só, causar uma mudança na estrutura de nossa sociedade; o que deve ser buscado, no dia-a-dia, são as pequenas vitórias sobre o machismo. Nada disso, porém, deve ser realizado de maneira isolada: juntamente às pequenas atitudes, as mulheres (e também os homens) conscientes devem espalhar tal consciência para o máximo de pessoas, agindo politicamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-5986215099244060522?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/5986215099244060522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=5986215099244060522' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/5986215099244060522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/5986215099244060522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/08/sexismo-um-eterno-inimigo.html' title='Sexismo, um eterno inimigo.'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-8740140848016438716</id><published>2010-08-25T07:07:00.000-07:00</published><updated>2010-08-25T07:07:25.282-07:00</updated><title type='text'>Eleições 2010</title><content type='html'>Fato é que Dilma vai ganhar as eleições desse ano. Talvez, a vitória venha ainda no 1º turno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À mídia manipuladora e elitista e às elites tacanhas que ainda ouvem o que a Veja e a Globo dizem, restará bradar que o povo brasileiro "não sabe votar". Esse pessoal, apoiado no discurso preconceituoso e tendencioso de alguns acadêmicos e formadores de opinião pouco competentes, acha que o povo brasileiro votará em Dilma porque é burro, por conta de um simples apreço pela figura do presidente Lula e por conta dos programas supostamente assistencialistas do governo petista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o que os analistas políticos comprados que aparecem no Globonews não percebem é que o povo brasileiro tem, sim, uma forte consciência política, que o torna capaz de perceber que Dilma é a promessa da continuação de um projeto político competente que está dando certo demais. Suas pretensas análises ainda estão centradas em pensar o jogo político como uma mera manipulação de imagens, a fim de manipular, também, o voto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sorte é que esse tipo de fala não tem mais alcance. Ninguém mais acredita nas mentiras contadas pelas oligarquias que dominam as concessões de Tv e rádio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-8740140848016438716?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/8740140848016438716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=8740140848016438716' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/8740140848016438716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/8740140848016438716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/08/eleicoes-2010.html' title='Eleições 2010'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-6601537394205733392</id><published>2010-08-11T19:18:00.000-07:00</published><updated>2010-08-11T19:18:15.538-07:00</updated><title type='text'>Os inúteis rituais da democracia</title><content type='html'>Tenho acompanhado essas entrevistas realizadas pelo Jornal Nacional com os candidatos à presidência da República em 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de realizadas essas entrevistas, palpiteiros de todas as origens possíveis vão às redes sociais falar que esse candidato foi favorecido, enquanto outro foi achincalhado. Ao mesmo tempo, outros tantos sábios analisam o discurso, a forma da retórica e as "propostas" dos candidatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, também um palpiteiro, vi que, apesar de um certo candidato ter sido claramente favorecido por uma estranha benevolência do casal Bonner, nenhum discurso prestou de verdade. Percebi, na verdade, um imenso desfile de demagogias, trocas de acusações e tentativas de consolidação e venda de imagens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir disso, acho que a única forma de decidir o voto é a partir de uma análise da proposta dos partidos aos quais pertencem os candidatos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-6601537394205733392?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/6601537394205733392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=6601537394205733392' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/6601537394205733392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/6601537394205733392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/08/os-inuteis-rituais-da-democracia.html' title='Os inúteis rituais da democracia'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-7956203246366366276</id><published>2010-07-26T12:07:00.000-07:00</published><updated>2010-07-26T12:07:53.692-07:00</updated><title type='text'>A little bit of football.</title><content type='html'>O Brasil é um país engraçado. Aqui por essas nossas belísimas bandas, um treinador que resolve honrar um contrato que havia assinado e, mais do que isso, opta por respeitar um clube e uma torcida que nele tinham depositado imensa confiança, é criticado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem que, verdade seja dita, quem saiu mais manchado da história foi o Fluminense. Faltou sensibilidade à diretoria, que não deu a Muricy a chance de desempenhar a função mais fácil do mundo? Talvez. Mas essa falta de sensibilidade pode ser explicada e suavizada por dois fatores: 1) Muricy realmente faria uma falta muito grande ao clube, já que não há nenhum grande treinador à disposição; e 2) se faltou sensibilidade ao tricolor, faltou mais ainda ao Ricardo Teixeira, que deveria ter chamado para a conversa com Muricy representantes do Flu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-7956203246366366276?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/7956203246366366276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=7956203246366366276' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/7956203246366366276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/7956203246366366276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/07/little-bit-of-football.html' title='A little bit of football.'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-5874750395685854765</id><published>2010-04-12T18:22:00.000-07:00</published><updated>2010-04-12T18:22:06.407-07:00</updated><title type='text'>Eu não faço a minha parte.</title><content type='html'>Irrita-me esse discurso de que “cada um tem que fazer sua parte”, para o bom funcionamento da sociedade: tá na hora de alguém desconstruir isso. Como a ideia me incomoda, eu atribuo a mim mesmo a tarefa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Fazer a sua parte é não ter vontade de potência, essa coisa tão esquecida atualmente na prática política e social. Quando um indivíduo se restringe ao conforto (quase sempre nem um pouco confortável) de sua própria posição na configuração de uma sociedade, ele se abstém da ação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, tal abstenção é simultaneamente uma ação, a partir do momento em que perpetua a ordem vigente e permite que outros detenham o poder; e esses “outros”, não sejamos inocentes de pensar o contrário, não fazem cerimônia alguma de se utilizarem de seja qual for o instrumento (que geralmente é legitimado pela coletividade, sem que ela ao menos saiba disso) para realizarem seus vis interesses.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A mudança não pode, portanto, surgir em um contexto em que todos agem dentro do que é pré-estabelecido: tal é uma lógica totalmente ilógica. Alguém que não tenta extrapolar seus limites não deixa de fazer parte de um rebanho (ui! um clichê), não provoca nada de novo. São aqueles que, mesmo que cientes do limite do alcance de suas ações, vão atrás daquilo que acreditam, que provocam a alteração dos padrões existentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aí o nosso problema atual, meus caros: hoje, vejo alguns jovens que pensam que o mundo tal como ele é é insustentável; entretanto eles não enxergam através da ideologia dominante, que quer que tudo seja sustentável de maneira a não abalar, em aspecto algum, o sistema social e de produção atual, o do capitalismo. É precisamente por compartilhar dessa mentalidade que comete-se um erro mortal, por conta do qual quase não há mais revolucionários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, em minha opinião, a parcela de ação facilmente realizável não conta de nada, é apenas determinada pelos “donos do poder”, e nos é informada direta ou indiretamente: seja pela mídia ditatorial, seja por essa hedionda oligarquia pós-moderna camuflada sob fofos ideais democráticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-5874750395685854765?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/5874750395685854765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=5874750395685854765' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/5874750395685854765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/5874750395685854765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/04/eu-nao-faco-minha-parte.html' title='Eu não faço a minha parte.'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-6688233714022873823</id><published>2010-02-21T20:34:00.000-08:00</published><updated>2010-02-21T21:41:02.414-08:00</updated><title type='text'>Carnaval segundo um chato</title><content type='html'>Vai-se o Carnaval, e em seu rastro ficam inúmeros comentários possíveis; eu farei alguns deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo: finalmente, fez-se justiça ao Paulo Barros, que nesse recente processo de descarnavalização do Carnaval das escolas de samba do Rio encontrou a oportunidade para manifestar sua capacidade criativa inegável. Se os seus desfiles tem ou não a ver com a festa da qual fazem parte, isso é uma questão mais ideológica (com todas as ressalvas possíveis ao mau uso que acabo de fazer dessa palavra).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomando partido na peleja, tal vitória é, para mim, a clara demonstração de uma triste derrota: a do pessoal que milita pela valorização dos desfiles “à moda antiga”, aqueles com grandes sambas de enredo (caso do samba da Vila e da Imperatriz de 2010, ambos já com lugar na história dos grandes sambas) e com o povo das comunidades representando suas escolas com o “puro e simples” samba no pé. Carnaval carioca, ou pelo menos o da Sapucaí, virou coisa pra inglês (e burguês) ver. Um sintoma desse conflito, que (juro!) não é coisa só da minha cabeça, foi o fato de o Chico Pinheiro ter, durante a transmissão do desfile carioca, dado um jeito de abafar o discurso de um membro da velha-guarda portelense (ah, a grande Portela...), cujas colocações alinhavam-se com as opiniões mais conservadoras sobre o Carnaval carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto que eu posso destacar é a horripilância do desfile das Escolas de Samba paulistanas. É coisa de doer: os sambas de enredo são esquisitos e feios; basta comparar com os do Rio (que, seja feita a justiça, há muito tempo não via tão belas músicas desfilando no mesmo ano) para notar a clara discrepância. Mais uma coisa horrorosa: as baterias das agremiações de São Paulo, que parecem trens. A coisa não tem cadência nenhuma... enfim, mais uma vez, peço ao leitor que realize o teste comparativo entre Rio e São Paulo nesse aspecto. Haja ufanismo por parte dos marginais do Tietê para achar que o desfile deles é comparável ao carioca...   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais me chamou a atenção, sem dúvida, foi o caos gerado pela massiva participação popular nos blocos de rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha opinião primeira, fruto de uma observação empírica superficial, caseira e sem pretensão alguma de se tornar qualquer tipo de pesquisa séria, é que as pessoas que costumam fugir do Rio de Janeiro no Carnaval simplesmente não o fizeram em 2010. O porquê disso eu não sei; talvez todo mundo tenha percebido que não faz sentido sair de um lugar que é provavelmente o maior pólo de atração turística nessa época do ano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que a organização da maior festa popular carioca não se mostrou nem um pouco preparada para atender às demandas dos milhões de foliões que aproveitaram os blocos de rua cariocas. Não havia um número de banheiros públicos que fosse sequer próximo da necessidade da população e, o que é pior, os “mijões” ainda foram, em alguns casos, detidos pela polícia. Além disso, a onipotente Metrô Rio, com suas integrações mirabolantes e sua quase nula responsabilidade para com seus clientes, conseguiu deixar o fim do Domingo de Carnaval em Ipanema uma absoluta desordem: fechou a estação da Praça General Osório no fim da noite, na justa hora em que as pessoas voltavam para casa. Muitos ficaram nervosos, sob a ameaça de não voltarem para casa; outros deram algum jeito de fugir da situação. A alegação da empresa concessionária das linhas de transporte metroviário carioca foi que tinha gente demais pra entrar e os carros não dariam vazão; já eu, alego que a empresa agiu com uma inacreditável calhordice, posto que há muito tempo vem veiculando propagandas para que as pessoas, em eventos de apelo popular, usem o transporte público, sobretudo o metrô. Coisa de amador mesmo a administração desta empreseca, que, ao que parece, tenta fazer promessa sem ter merda no cu pra cagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um destaque negativo para o Carnaval do Rio foi a absurda quantidade de pessoas furtadas nos blocos de rua, principalmente no Bola Preta. Quase todos que saíram para os blocos cariocas foram ou conhecem muitas pessoas que passaram por tal situação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-6688233714022873823?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/6688233714022873823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=6688233714022873823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/6688233714022873823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/6688233714022873823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/02/carnaval-segundo-um-chato.html' title='Carnaval segundo um chato'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-8903871484795317057</id><published>2010-02-09T21:20:00.001-08:00</published><updated>2010-02-21T21:35:46.252-08:00</updated><title type='text'>O mundo é um restaurante self-service (parte 1)</title><content type='html'>O que me faz ser eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio à multidão, ao grito mudo da sabedoria massificada, um tolo incomodado por tal questão diria o óbvio: “são as minhas escolhas”. Talvez tal constatação não fosse tão literal: creio que sua explicitação se daria nas entrelinhas, através dos olhos mediocremente sensíveis de algum leitor de mentes. Por exemplo: João diz que sua individualização, sua diferença em relação aos outros, são sua profissão, seu posto na sociedade, seus gostos, etc.. Sabedor de tal informação, eu diria: João crê que tais coisas, (mais ou menos) racionalmente retiradas por ele da massa dos diversos produtos disponíveis no mundo, dizem quem ele é; eis minha dedução fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nessa direção, pois, que parece fluir hoje em dia a opinião coletiva sobre o que é estar vivo: somos todos escolhedores.  Desde que acordamos, nós, os habitantes do mundo atual, conscientemente decidimos quais serão nossas roupas, o que vamos fazer. Quando as escolhas são limitadas, o são por escolhas anteriores de maior impacto: “Tenho de acordar cedo para ir ao trabalho, mas gostaria de dormir mais um pouco; entretanto, escolhi ter o emprego que tenho; portanto, uma escolha maior, mais importante, barra minha liberdade de dormir até tarde".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é uma questão de quereres. Por exemplo: o pobre, aquele sujo, escolheu ser pobre: vive na lama porque quer; afinal, as escolhas estão aí. Em algum momento, em meio à sua imundície, um raio brilhante de uma nova perspectiva se lhe mostrou. Ora, hoje em dia a internet, a televisão, o rádio, tudo isso está aí disponível, todo mundo pode ter (e tem). Mas o miserável prefere continuar onde está; ele não quer, enfim, nada melhor.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais curioso da situação que descrevo é que as pessoas se limitam ao campo das microescolhas. Quase ninguém milita mais por uma grande causa, por aquilo que acredita ser um bem maior. Não: cada um se acha no direito de buscar superficialmente, em meio aos grandes projetos políticos, aqueles pequenos elementos que mais lhe apetecem. Há, portanto, uma teoria política para cada cidadão; teoria política essa que nunca tentará prevalecer, após deformar-se inevitavelmente em meio ao maravilhoso conflito inerente às coisas humanas que são externalizadas. Conflito é palavra feia, aliás: cada um tem sua opinião, e tal opinião que cada um tem deve ser respeitada a qualquer custo. “Opinião é que nem cu: cada um tem a sua”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o espaço do indivíduo (essa grandeza maravilhosa que está acima de tudo) também tem de ser respeitado a qualquer custo. “Faz o que você quiser, desde que não invada o meu espaço”, “Desculpa, amor, mas você não está me dando espaço em nosso relacionamento”, entre outras frases recorrentes, são o símbolo disso. Sendo assim, as pessoas isolam-se em suas cúpulas de vidro, feito santos de procissão; cúpulas essas que a cada dia tornam-se mais ricas em aparatagem tecnológica. É o efeito Ipod: tenho o direito de decidir o que vou ver e ouvir enquanto ando pela rua. A feiúra e a beleza do mundo não me interessam; o que me interessa é o conforto e a certeza de que estarei exposto apenas a sensações conhecidas, que já passaram por meu crivo e que foram por mim escolhidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo as coisas assim, a metáfora geométrica da vida vem, cada vez mais, tornando-se a reta: desejamos não nos expor aos desvios de trajetória que o convívio com a alteridade proporciona. Como seria bom, nesse contexto, saber o que a vida reserva! O que fazer para conseguir isso? Buscar uma vidente? Jamais: o que eu posso fazer é me isolar, viver uma vida previsível na qual os desvios involuntários promovidos pelos outros são vistos com ódio, como se fossem colossais desrespeitos.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua. Ou não.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-8903871484795317057?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/8903871484795317057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=8903871484795317057' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/8903871484795317057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/8903871484795317057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2010/02/o-que-me-faz-ser-eu-em-meio-multidao-ao.html' title='O mundo é um restaurante self-service (parte 1)'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-4190601966151073300</id><published>2009-11-23T19:04:00.000-08:00</published><updated>2009-11-26T11:13:38.702-08:00</updated><title type='text'>"Mas que porra é essa?"</title><content type='html'>Aconteceu que eu resolvi ver o tal do "Crepúsculo".&amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Antes que o julgamento de meu leitor imaginário pese sobre minhas costas, façamos os devidos esclarecimentos: era sábado à noite, eu não passava muito bem e não tinha mais o que ver na televisão. Para terminar as coisas sem que minha honra fique manchada, direi: por toda minha vida, sempre fui um grande soldado entrincheirado na guerra contra esse mercado dos megafenômenos adolescentes. Nunca vi um ramo do entretenimento tão vazio e tão sem criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu-se, entretanto, que além dos fatores já mencionados, eu de fato queria saber o que tem nesse negócio que mexe tanto com os jovens. O livro, por si só, foi o mais absoluto sucesso de vendas: todo ônibus cheio que se preze tem alguém lendo ele. O filme, entretanto, me pareceu por demais arrebatador; a sequência de "Crepúsculo", o longa "Lua Nova", é record de pré-venda de ingressos de cinema.E como, enfim, eu sou um ser humano muito ocupado, não podia perder meu tempo com algo que, meu preconceito já sabia, seria, no mínimo, uma tolice juvenil; perdi assim a opção do livro. O filme, que passou no Telecine, se tornou então o que havia de mais palpável para que eu fizesse minha prova real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei no sofá da sala sem saber que estava para apreciar uma das maiores bananadas da história do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Crepúsculo" não é apenas uma daquelas historinhas adolescentes bobas e fáceis, que vêm cada vez mais se consolidando como um dos maioires filões da indústria cinematográfica. Não; esse filme tem algo pior. Para começar, nele o mito e a figura do vampiro são destroçados: no universo criado pela &lt;i&gt;quacker &lt;/i&gt;desocupada Stephenie Meyer, as criaturas noturnas têm seu drama mais interessante derrubado, e podem andar durante o dia desde que o tempo esteja nublado (?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me impressionou na destruição do vampiro, entretanto, foi o modo de vida médio-classista norteamericano em que vive a família dos vampiros vegetarianos do filme: eles andam em carrões, moram em uma casa bem-equipadinha feita de vidro (!) e, pasmem, frequentam &lt;i&gt;high-schools &lt;/i&gt;para poderem catar umas novinhas mortais. O mundo &lt;i&gt;underground&lt;/i&gt;, satânico e obscuro em que outrora habitaram os vampiros deu lugar, em "Crepúsculo", a um modo de vida fútil e imbecil, que simplesmente não faz sentido pelo seguinte: que criatura imortal, dotada da sabedoria dos séculos, se importaria com draminhas idiotas de popularidade, aceitação e adequação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Enfim, a história é um retardadice sem tamanho. Mergulhado em inúmeros clichês, "Crepúsculo" tem um enredo enfadonho, engasgado, que demora pra começar. Os dois protagonistas do pseudoromance são as coisas mais rasas que se pode imaginar; a química entre eles é tão pouca que eu simplesmente não entendi até agora como foi que eles resolveram ficar juntos. Minha única hipótese é que aquela menininha sem sal tem um complexo de Édipo meio invertido e, depois de ter visto umas fotos do pai nos anos 50 (ou 60?), resolveu pagar pau pro frangote branquelo metido a misterioso,cujo visual fora de moda dá direito até a um casacão de couro e a um gelzinho no cabelo. Só faltou o cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Em termos cinematográficos, "Crepúsculo" também é um disparate. A atuação de Robert Pattinson ultrapassa formidavelmente sua cota de ridicularidade; desconfio que ele tenha feito curso de atuação no mesmo lugar que o Hayden Christensen estudou para fazer o papel de Anakin Skywalker, e lá aprendeu a fazer cara de triste/puto/confuso/apaixonado inclinando a testa pra frente e fazendo biquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_pVTjCPtxqeI/SwtKYhaEoMI/AAAAAAAAABg/XhihpDBkR-c/s1600/crep%C3%BAsculo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_pVTjCPtxqeI/SwtKYhaEoMI/AAAAAAAAABg/XhihpDBkR-c/s320/crep%C3%BAsculo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A direção do filme também é horrorosa: até os papéis de pouco destaque são afundados por seus representantes. E não é possível que um bom diretor não perceba que aquele negócio de os vampiros, ao se ouriçarem, fazerem cara com testa enrugada e caninos à mostra, é algo que é de uma falta de criatividade imensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o roteiro é uma cagada sem tamanho. Além de explicar mal um monte de coisas, provavelmente pouco ajudado pelo material do livro, um fato do filme é absolutamente inexplicável mesmo: por que diabos, meu Deus, o pessoal fugiu tanto do vampiro mauzão se,no fim das contas, ele foi morto com extrema facilidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ápice da ruindade do filme é a seguinte cena: os vampiros jogando Baseball. Puta que pariu, é uma das cenas mais constrangedoras da história do cinema. Sério, eu tirei do canal por alguns minutos; não dá. A coisa é muito, muito, muito mas muito imbecil mesmo, chega a ser vergonhoso. Foi nessa hora que eu disse a frase do título do post: "Mas que porra é essa"? No fim das contas, acabei vendo o filme até o fim; afinal, como você pode ver no título do blog, eu tenho um lado meu meio sádico.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, só uma pessoa com o senso crítico zerado pode atribuir algum valor a uma porcaria dessas. Lamentável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-4190601966151073300?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/4190601966151073300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=4190601966151073300' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/4190601966151073300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/4190601966151073300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2009/11/mas-que-porra-e-essa.html' title='&quot;Mas que porra é essa?&quot;'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pVTjCPtxqeI/SwtKYhaEoMI/AAAAAAAAABg/XhihpDBkR-c/s72-c/crep%C3%BAsculo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-8370598585362798927</id><published>2009-09-22T18:32:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T10:33:45.680-07:00</updated><title type='text'>Pessoas que defecam pela boca</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrevo o presente texto ainda cedo da manhã.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não quero que meus poucos (se é que há algum) leitores pensem que sou eu uma criatura naturalmente amarga, cujo despertar inunda o Universo de energias negativas. Todavia, creia: não há boa vontade para com a vida que sobreviva aos golpes de palavras mal-faladas desferidos pelos pseudo-jornalistas da Globo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato que causou meu penar foi o seguinte: estava eu, calmo e tranqüilo, a assistir televisão. Na tela, as notícias do programa jornalístico (?) &lt;em&gt;Bom Dia Brasil&lt;/em&gt; eram apresentadas e, em alguns casos, comentadas. Uma dessas notícias me chamou a atenção: ela tratava da&lt;span style="background-color: white;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/09/22/brasil-nao-vai-tolerar-acao-contra-embaixada-em-honduras-767723722.asp"&gt;&lt;span style="background-color: white; color: blue;"&gt;&lt;strong&gt;atuação diplomática brasileira no recente episódio do golpe de Estado em Honduras&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;.&lt;/span&gt; Ao que parece, (como eu disse, ainda é cedo e não deu tempo de ver direito o que aconteceu) o presidente deposto pelos golpistas, o tal do Zelaya, resolveu bater na porta da embaixada brasileira no território hondurenho. Segundo disseram na matéria do &lt;em&gt;Bom Dia Brasil&lt;/em&gt;, seria errado a nossa embaixada negar abrigo pro cara; o problema é que, ainda segundo a matéria, o Zelaya ficou um pouco folgado e resolveu usar a embaixada como plataforma política.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente, a situação mudou de figura. Quando eu pensava, em minha inocência juvenil, que o dia seria bom apesar da Globo, ocorreu o fato que me deixou tão mal-humorado: a troglodita da Miriam Leitão falou. Falou coisas que agora não me vêm á cabeça em sua totalidade; apenas um de seus dizeres estúpidos me inquietou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis o acontecimento que tanto me irritou: ao comentar, &lt;em&gt;en passant&lt;/em&gt;, o posicionamento do presidente venezuelano Hugo Chávez em relação àquele mesmo golpe de Estado no qual o Brasil aparentemente tomou partido, a filhote de porco soltou a seguinte pérola (a paráfrase é aproximada, que a minha memória não é tão boa assim): &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Hugo Chávez foi, nessa situação, (o Golpe de Estado em Honduras) a favor do conflito. Isso não é novidade (aí vem a pedrada. Tirem as crianças da sala!): &lt;strong&gt;é da natureza de Chávez ser a favor do conflito. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Puta que pariu, ainda não acredito que ela disse isso.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazendo um eufemismo daqueles bem floreados mesmo, o que a Miriam fez foi feio, muito feio. Fosse a mídia brasileira só um pouco séria, a criatura suína seria banida pra longe de qualquer meio de comunicação, coisa de não poder nem escrever redação de vestibular. Mas o verdadeiro problema, aquilo que cerca a aparentemente leviana declaração, é o seu caráter político extremamente bem-definido. A seguir, tentarei explicar o ponto de vista que defendo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Sobre Chávez e sua ‘natureza’&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de entrar precisamente no mérito político da situação que acabo de descrever, cabe um esclarecimento: não sou nem nunca fui chavista. Mesmo que minha visão seja distorcida pelas semi-informações dadas pelas mídias brasileiras, não consigo retirar do vizinho do Quico e da Chiquinha o estigma de ditador, e eu não gosto de ditadores. Sei que sobre isso tudo que acabo de dizer há inúmeras controvérsias, e elas são absolutamente normais: afinal, a política é o campo da discussão, da negação de qualquer ideal de verdade absoluta. (Inclusive Nietzsche nos disse que, sendo rigoroso mesmo, a gente deve desconfiar de qualquer ideal de verdade absoluta. Mas, por hora, deixemos as pessoas se enganarem apenas no lado de fora da política.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só que não ser muito fã do Chávez não me tira de forma alguma o direito (e, por que não, o dever) de ser contra o que falou Miriam Leitão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A idéia que atravessa o dizer da pseudo-jornalista globista é um equívoco sem tamanho. Ao atribuir as atitudes políticas de Chávez à sua suposta ‘natureza’, ela está mentindo em duas vias. Faz parecer que: 1)pode-se fazer política a partir da ‘natureza’ ou, se quiser, da vontade de uma só pessoa isolada e 2) a política pode ser realizada à margem da racionalidade.É bem provável que ambas as vias da mentira estejam invalidadas já&lt;em&gt; a priori&lt;/em&gt;, posto que talvez estejam em contradição interna. Afinal política é, em primeiro lugar, fruto de interação entre pessoas distintas, de conflito. Além disso, a política é descendente direta da característica distintiva do homem em relação aos outros animais, a racionalidade. Em resumo: não se faz política nem sozinho e nem com o estômago, mesmo em um governo de (supostas) características ditatoriais como o de Chávez. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, ao apelar a dizeres que são filhos do mais grosseiro senso comum, Miriam Leitão demonstra toda a sua não inocência. Ela se utilizou indiretamente de um discurso mentiroso e que é, mesmo assim, legitimado, e brincou dessa maneira com as tantas baboseiras ditas a partir do desconhecimento das pessoas sobre certos aspectos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em primeiro lugar, por mais que aparentemente todo o Estado venezuelano se resuma à figura de Chávez, é impossível que ele governe à revelia e ao desagrado de todos os grupos de seu país. Fosse assim, ele não seria nada mais que um louco, a bradar inutilmente pelas ruas comandos sumariamente ignorados. Há portanto, consenso em algum nível: Chávez lidera um Estado, e o faz por ter seu poder legitimado por alguém; alguém que viu nele a possibilidade de ter seus próprios desejos e necessidades satisfeitas. (Historicamente, não me lembro de nenhum governante que tenha sobrevivido no poder sem o apoio de algum grupo poderoso.) Sendo assim, a frase de Miriam Leitão só é possível se tomarmos por verdadeira a seguinte premissa: Chávez governa porque suas ações são regidas por uma suposta ‘natureza’ coletiva majoritária do povo venezuelano. Mesmo com isso, o que Miriam diz deixa de ser uma completa estupidez e progride apenas à xôxa qualidade de sofisma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além disso, em segundo lugar, não se pode retirar da atitude política o seu caráter racional. Mesmo que a consideremos, no campo da doxa, o mais completo absurdo. Nada em política nasce de ‘naturezas’, individuais ou coletivas; afinal a política é, antes de tudo, a mais racional e a menos natural das atividades humanas. Tudo que não vem da razão é, portanto, apolítico. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sendo assim, ao separar as atitudes de Chávez de seu racionalismo determinado, de suas causas e de seus fins, Miriam Leitão cria a improvável possibilidade da seguinte suposição: Chávez, um grande imbecil que governa sem apelar à razão, semeia o conflito a seu bel-prazer, devido à sua natureza. Portanto, diante dessa natureza inelutável, o presidente venezuelano se mantém no poder porque, por ter a ajuda dos deuses, tem dirigida a ele apenas uma &lt;em&gt;fortuna&lt;/em&gt; favorável em todos os aspectos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-8370598585362798927?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/8370598585362798927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=8370598585362798927' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/8370598585362798927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/8370598585362798927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2009/09/pessoas-que-defecam-pela-boca.html' title='Pessoas que defecam pela boca'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-3254631651728203886</id><published>2008-03-21T13:34:00.001-07:00</published><updated>2011-06-01T15:14:33.928-07:00</updated><title type='text'>Tragicomediando</title><content type='html'>Atendia quando o povo lhe chamava por Álvaro, se não me trai a memória. Foi-me avizinhado às pressas, feito fugitivo. Parecia uma lagartixa: andava tão rente às paredes que fugia ao sol do meio-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dele nada foi dito nem desdito; sujeito muito reservado, passava tão desapercebido que era alheio até a olho e ouvido de tricoteira. Convenientemente, nada tinha de especial e enquanto pode escapou de coçar as orelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sempre chega o dia em que o homem reencontra seu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que, de repente, Álvaro foi flagrado ainda mais esquivo, e só deixava o abrigo quando diante de questões de morte. Empalideceu, quase sumiu; diziam alguns que seu retiro condizia com a chegada de certa família vinda, como ele, do interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente das redondezas, simpaticamente diabólica ou diabolicamente simpática, não tardou em estreitar laços com a tal família. Parecia que a todos interessavam as origens do fantasma Álvaro; sendo assim, foram exigidas respostas indiscretas sobre a vida anterior dele. Um singelo pagamento pelas tortas e biscoitos de boas vindas oferecidos aos novos contribuintes do IPTU de nossa cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respostas estas que foram dadas sem pudor algum; afinal, os cofres das pessoas não têm lugar para segredos dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um escândalo. As moças mais sensíveis desmaiaram, enquanto os homens mais insensíveis gargalharam. Já meio ciente da própria situação, Álvaro não remou contra a enxurrada de escárnios maldosos que o atingiram. Evanesceu, simplesmente. Ninguém mais o viu por um bom tempo, o que causou certa dose de decepção em todos. Qual é a graça em fazer graça de coisa alguma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provocaram-no. Picharam seu muro; nada. Gritaram nomes feios à sua porta; ainda nada. Desesperado, o povo quase entrou em colapso; e persistiu nada. Até que Álvaro, enfim, deu as caras. Não do jeito que todos queriam, de fato. Amanheceu na ponta d’uma corda velha , roxo e com as feições deformadas. Mais enforcado que Judas em sábado de aleluia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi enterrado, pois deu cabo de si mesmo. Cremado, o corpo de Álvaro espalhou-se no vento. Nós, moradores desta cidade, jamais nos culparemos por tamanha desgraça. Cada um faz com a própria vida o que quer. Mas nos entristeceremos, sim, toda vez que meu pobre vizinho for mencionado. Sua tragédia não foi completamente representada; era pra terminar com ares de comédia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-3254631651728203886?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/3254631651728203886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=3254631651728203886' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/3254631651728203886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/3254631651728203886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2008/03/tragdia-de-lvaro_21.html' title='Tragicomediando'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3240352115734272138.post-3801752782451726769</id><published>2007-12-16T12:58:00.000-08:00</published><updated>2008-08-03T08:01:25.325-07:00</updated><title type='text'>Coitadinha da Margot</title><content type='html'>Margot era, já novinha, criatura muito peculiar. Tinha um caráter muito preocupado com a felicidade alheia, se sacrificando para retirar das criaturas infelizes todas as casquinhas de amabilidade e contentamento possíveis. E essa característica se refletia, inclusive, na forma como ela encarava o sexo; tinha uma tara meio estranha, quase doentia, por pagar boquetes. Achava que isso era a forma mais nobre e pura de altruísmo em termos sexuais, e via na mamada o símbolo máximo de amor ao próximo. Sonhava em satisfazer, com seus lábios carnudos , todos os homens que a cercavam, imaginando chupadas homéricas daquelas que terminam com um saco vazio e uma boca cheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas creiam, leitores, que nossa amiga via-se num impasse ideológico nunca antes vivido em toda a história do Universo: Margot tinha muito, muito nojo daquele líquido viscoso que sai do pênis masculino, a ejaculação. Da mesma forma como num conto de sei-lá-quem uma menina queria ser médica e tinha horror a sangue, a nossa protagonista Margot se via diante de um dilema quase tão grande quanto a escolha de Sofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, Margot padecia desse mal bem estranho, e por isso não conseguia ser feliz. Homens já a temiam, por não quererem se ver cobertos de vômito já que, convenhamos, isso é no mínimo um puta de um corte no tesão. E a menina, desesperada, não sabia o que fazer. Camisinhas não podiam ser usadas, porque a religião não permitia (Margot era católica de berço, muito devota, diga-se de passagem).Só restava a Margot rezar para que o parceiro conseguisse se ´´controlar`` por tempo suficiente. E como, segundo um anúncio que eu vi outro dia na TV, do Boston Medical Group, pelo menos um terço dos homens sofre de ejaculação precoce, o leitor deve imaginar que pelo menos um terço das relações de Margot deviam acabar de uma forma bem...huuuuuum...inusitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, realmente, suas experiências boquéticas não eram das mais normais.Mas como sempre há um chinelo velho para um pé descalço, Margot encontrou do nada um fiapinho de esperança em sua vida de sanguessuga. Deu-se que, por algum capricho do destino, ela se deparou, para sua felicidade, com um belo rapaz, que tinha a estranha característica de nunca, jamais, em hipótese alguma gozar. Acostumado a ser desprezado pelas mulheres normais, ele encontrou em Margot o alento que necessitava; um preenchia o outro, e ambos perceberam que nunca um casal seria mais feliz do que eles dois.Viveram bem durante meses; ela boqueteando, ele sem jogar nada na boca da amada. Amaram-se intensamente até que, numa noite de inverno, o incontestável e inevitável destino de tudo o que vive atingiu violentamente aos dois, mesmo que precocemente e interrompendo uma felicidade ímpar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucedeu que, na já citada noite de inverno, Margot, como de costume, se ocupava em boquetar o amado, enquanto este dirigia. Distraído, ele foi incapaz de, num cruzamento, ver o sinal que se tornava vermelho. Tragicamente, no mesmo momento, um caminhão colidiu com o carro no qual se encontravam os dois pombinhos, do lado da porta do motorista, fazendo com que ele morresse na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na iminência da morte, algo inesperado aconteceu: no último suspiro de prazer, o namorado de Margot despejou na güela da amada tudo aquilo que, por anos, não saiu do lugar. Ela, pelo contrário, não morreu na hora; presa nas ferragens e incapaz de cuspir o que havia entrado boca adentro, encontrou o mesmo destino de sua alma gêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Instituto Médico Legal, os médicos não tiveram coragem de divulgar a verdadeira &lt;em&gt;causa mortis&lt;/em&gt; de Margot : afogamento. Mentiram que a morte se deu por conta dos ferimentos causados pelo acidente, sem contar ao mundo que, ironicamente, a boqueteira enojada morreu afogada em porra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3240352115734272138-3801752782451726769?l=meueusadico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meueusadico.blogspot.com/feeds/3801752782451726769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3240352115734272138&amp;postID=3801752782451726769' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/3801752782451726769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3240352115734272138/posts/default/3801752782451726769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meueusadico.blogspot.com/2007/12/coitadinha-da-margot.html' title='Coitadinha da Margot'/><author><name>Pedro Marques</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_pVTjCPtxqeI/R8GozHC6YkI/AAAAAAAAAAU/wwwPPjbZuF4/S220/images.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry></feed>
